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3ª Comissão pune Luan por jogada violenta
28/04/2021 11h37 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
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A Terceira Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol julgou o atleta Luan, do Palmeiras, pela expulsão na final da Copa do Brasil 2020. Denunciado por agressão ao atingir o rosto de Diego Souza, do Grêmio, o zagueiro do Palmeiras teve a conduta desclassificada para jogada violenta e recebeu a pena de uma partida de suspensão. A decisão foi proferida por maioria dos votos e cabe recurso ao Pleno.

Luan participou do julgamento virtual e falou sobre o episódio. “Lance que estou com a bola dominada e fui recuperar a bola duas vezes e não olhei para o Diego Souza. Estava olhando para a bola e tentei protege-la e, nesse movimento de proteger, meu braço foi para trás. Esperava que ele viesse pelas minhas costas e ele veio pelo lado. Meu braço acabou acertando no rosto dele. Em nenhum momento olhei pra ele e tive a intenção de acertá-lo. O primeiro movimento que faço é jogar meu corpo para trás para proteger a bola, esse movimento meu braço acompanha. Infelizmente meu braço subiu um pouco, o Diego abaixou a cabeça e veio pelo lado e acabei atingindo ele”, disse o zagueiro do Palmeiras.

Luan ainda citou a amizade de longa data que tem com Diego Souza e que foi ao vestiário do Grêmio após o jogo pedir desculpas.

Subprocurador-geral da Justiça Desportiva, Glauber Navega sustentou a denúncia. “A Procuradoria entende que o fato não foi esclarecido. Evidentemente que a amizade poderia não ter a intenção de agredir, mas o fato típico está descrito no artigo 254-A. Não justifica o fato de levantar o braço e o adversário vir de lado e a consequência do ato é punível. A Procuradoria pede a aplicação da agressão física, porém se não entenderem isso que seja punido por jogada violenta na pena máxima do artigo 254”, explicou.

Em defesa de Luan, o jurídico do Palmeiras juntou prova de vídeo com depoimento de Diego Souza afirmando não ter sido agredido e que Luan não teve a intenção de atingi-lo. O advogado Alexandre Miranda defendeu Luan.

“Trata-se de um atleta absolutamente tranquilo. Atleta que joga limpo e está sempre com essa calma e a própria reação dele quando foi expulso. Ele já tinha um amarelo, o árbitro vem e expulsa e ele fica tranquilo e sai do gramado. A ficha disciplinar dele também mostra essa serenidade e tranquilidade. A última expulsão dele é de 2018. Atleta de alto nível jogando pelo Vasco e Palmeiras e com um histórico desse. Eles se conhecem e têm aproximação familiar. Não há de se falar em agressão por não ter dolo, a intenção. Óbvio que qualquer zagueiro do mundo vai bloquear aquela bola. O zagueiro tem que medir todos os esforços para que a bola saia em tiro de meta ou que mantenha a vantagem no lance. Ele abre o braço sim. É sim um lance corriqueiro e normal e esses choques acontecem. Um zagueiro de costas protegendo a bola não é verossímil concluir que ele teve a intenção. Apesar do Diego ter sangrado ele foi atendido e retornou ao jogo. Considerando a primariedade do atleta, a ficha disciplinar, pelo depoimento do atingido, por se dirigir ao vestiário após a partida e pedir desculpas, por já ter sido punido e criticado, a defesa pede a desclassificação da conduta para o artigo 254 e a aplicação da pena mínima do artigo”, finalizou a defesa.

Com a palavra para voto, o auditor Bruno Tavares justificou seu voto. “Vi e revi o lance por diversas vezes e me convenci de que não houve dolo do atleta Luan naquele momento. Estou desclassificando para o artigo 254. Essa proteção com o braço é muito utilizada e corriqueira no futebol. Os braços são muito usados no futebol. Não obstante, essa jogada tem uma certa imprudência e risco, por isso aplico a pena de uma partida”, votou.

O auditor Éric Chiarello acompanhou o voto do relator.

Terceiro a votar, o auditor Rodrigo Raposo abriu divergência. “Penso um pouquinho diferente. Foi uma ação imprudente que poderia ter sido evitada se o braço do atleta não fosse tão alto. Me chamou a atenção a altura do braço e me pareceu que foi jogado para o alto potencializando a ação. Devidamente configurada a prática da jogada violenta pela ação imprudente e temerária, ainda que sem a intenção de causar dano. Considerando todo esse contexto, aplico a pena de duas partidas de suspensão no artigo 254”, explicou.

O auditor Cláudio Diniz acompanhou a divergência. “A figura típica melhor é o artigo 254. O atleta aumenta muito o braço no seu campo de atuação causando dano ao atleta adversário. Acompanho a divergência para dois jogos de suspensão”, concluiu.

Presidente da Terceira Comissão, o auditor Luís Felipe Procópio desempatou e concluiu a votação. “No eu entendimento não houve agressão, dolo e intenção de machucar o companheiro. Mas houve uma imprudência e levantou o braço acima do normal com consequências graves. Atitude temerária, mas observando a ficha disciplinar na função de zagueiro, vou acompanhar o relator na pena de uma partida de suspensão”, finalizou.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.