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Volante do Bragantino punido por agressão
23/06/2022 12h25 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
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A Quarta Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol puniu o volante Eric Ramires, do Bragantino, por praticar agressão física na partida contra o Goiás. Em julgamento realizado nesta quinta, dia 23 de junho, Eric foi punido com cinco partidas de suspensão por infração ao artigo 254-A do CBJD. A decisão foi por maioria dos votos e cabe recurso ao Pleno.

Pela oitava rodada da Série A, o Goiás recebeu o Bragantino. O árbitro narrou a conduta do atleta Eric Ramires, que resultou na aplicação do vermelho direto.

“Expulsei em decorrência do cartão vermelho direto o atleta do Red Bull Bragantino de número 16 sr. Eric dos Santos Rodrigues, por fora da disputa de bola ter atingido com o pé e com força excessiva a cabeça de seu adversário, quando ambos se encontravam no chão, na decorrência de uma falta sofrida pelo atleta expulso, saindo de campo normalmente”.

A narrativa resultou em denúncia da Procuradoria ao atleta por agressão física, infração descrita no artigo 254-A do CBJD.

De forma virtual, Eric Ramires participou do julgamento e prestou esclarecimentos sobre o fato.

“Lance muito rápido e de contra-ataque e acabei de enroscando com o jogador do Goiás e caí no chão. No momento que caí no chão o meu pé bateu na cabeça dele. O árbitro me deu cartão amarelo e depois com a revisão do var ele me deu o vermelho direto. Não tive nenhuma intenção de atingir o rosto dele”, afirmou Eric.

Procurador da Justiça Desportiva, Rafael Bozzano discordou do que foi dito pelo atleta e justificou o pedido de manutenção da denúncia.

“A imagem fala por si. Quando o denunciado está no chão, existe uma mecânica para atingir o rosto do adversário. Ele no chão olha antes de atingir. Consta na ficha disciplinar que o denunciado foi advertido anteriormente. A conduta tipificada como agressão é clara. Houve um chute, ainda que de pouca intensidade, e é um fato que se amolda no artigo 254-A do CBJD. Fora da disputa da jogada, olhou para o adversário no chão e chutou. Existiu o dolo e não foi acidental. A Procuradoria se manifesta pela procedência da denúncia com a aplicação do artigo 254-A e que seja considerada a reincidência”, pediu a Procuradoria.

Representante do Bragantino, o advogado Andrés Perez seguiu a linha de falta de intencionalidade e pediu a desclassificação na conduta do atleta.

"Conforme observado nas imagens e no depoimento do atleta, a defesa discorda da Procuradoria e entende que aqui houve um mero acidente de trabalho. Dois atletas se enroscaram, caíram no chão juntos em um lance normal na disputa da bola. O que ocorreu no campo não foi uma agressão por não haver possibilidade de uma pessoa caindo na disputa de bola parar para pensar e agredir. O atleta adversário atingido sequer recebeu atendimento médico e seguiu no jogo. Como alguém recebe um chute na cabeça sequer recebe atendimento e segue normalmente. O depoimento do denunciado deve ser levado em consideração e deixou comprovado que não teve a intenção de atingir. O atleta não pratica agressão e não é desleal. Levando em consideração as provas e o depoimento, o pedido da defesa é pela desclassificação para o artigo 254 com a aplicação de advertência”, finalizou a defesa.

Com o entendimento divergente da defesa, a auditora Adriene Hassen anunciou seu voto.

“A prova de vídeo é clara ao demonstrar que o denunciado sofre uma falta, um puxão de camisa, tenta se desvencilhar e os dois vão ao chão. Na queda, já no chão, ele projeta o corpo pra cima e joga a perna para atingir o adversário, não se tratando de um ato involuntário. Temos uma dificuldade muito grande de condenar no artigo 254-A, mas esse caso se amolda. Vou acolher o pedido e condenar o denunciado a cinco partidas no artigo 254-A”, justificou a relatora do processo.

Acompanhando o entendimento, o auditor Rodrigo Salomão divergiu apenas na dosimetria.

“São poucos os casos em que acabamos por acolher a agressão física, mas me parece que o jogador teve a intenção de desferir o golpe no adversário, De fato, fez o movimento para atingir com a trava o adversário e poderia causar uma lesão séria. Acompanho e acolho a denúncia para condenar o atleta no artigo 254-A. Nosso tribunal serve para adotar medidas disciplinares aos atletas, mas divirjo na dosimetria da relatora para aplicar a pena mínima de quatro partidas”, concluiu.

Presidente da Quarta Comissão Disciplinar, Jorge Galvão concluiu a votação e acompanhou a relatora na aplicação de cinco partidas de suspensão ao atleta do Bragantino.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.