LEIA MAIS@ 27/09/2022 - 17h25 | Grêmio: Relator concede efeito suspensivo para perda de mando e multa
LEIA MAIS@ 27/09/2022 - 16h44 | Santos é multado por uso de sinalizadores na Arena Pantanal
LEIA MAIS@ 27/09/2022 - 15h03 | Atlético/GO multado por arremesso de copo em jogo da Série A
LEIA MAIS@ 27/09/2022 - 14h30 | Atletas de Goiás e Atlético/GO são punidos após expulsão em clássico no Brasileirão
LEIA MAIS@ 27/09/2022 - 13h26 | Maqueiros do Náutico são suspensos após desrespeito em jogo da Série B

Rodrigo Caetano e Victor suspensos
26/05/2022 14h21 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
a A

A Quarta Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol puniu os dirigentes Rodrigo Caetano e Victor Bagy por desrespeitarem a arbitragem na partida contra o Goiás. Julgados nesta quinta, dia 26 de maio, o Diretor de Futebol Rodrigo Caetano recebeu sessenta dias de suspensão, enquanto o gerente Victor foi punido com 20 dias. A decisão foi proclamada por unanimidade e cabe recurso ao Pleno.

A denúncia foi baseada na súmula da partida redigida pelo árbitro Bruno Arleu de Araújo.

“Após o termino da partida, enquanto a equipe de arbitragem descia pelo acesso destino a mesma, se deparou com dois diretores da equipe do Clube Atlético Mineiro, que mesmo diante do policiamento local, os Srs. Rodrigo Vila Verde Caetano e Victor Leandro Bagy forçaram a passagem e invadiram o corredor de acesso ao vestiário da arbitragem, por uma porta que se encontrava aberta. O Sr. Rodrigo Caetano muito exaltado e desrespeitoso, proferia as seguintes palavras: "vocês foram uma vergonha hoje! Isso foi mandado? O Galo não pode vencer mais? Foi o Seneme? Foi a CBF? Parabéns CBF!!" O Sr. Victor Bagy proferia as seguintes palavras: "Vocês foram omissos!" Ambos foram contidos e retirados pelo policiamento do local”, narrou o árbitro.

A Procuradoria denunciou Rodrigo Caetano por infração aos artigos 258, inciso II e 243-F e enquadrou Victor no artigo 258, inciso II.

O ex-atleta e agora gerente do clube, Victor Bagy prestou depoimento de forma virtual na sessão e negou que tenha invadido o vestiário ou tenha sido ofensivo.

“Descemos, de forma pacífica, para a zona mista na entrada do corredor que dava acesso ao vestiário dos árbitros para tentar argumentar. A gente se sentiu prejudicado e acho que a reclamação foi legítima por nos sentirmos prejudicados. Em nenhum momento o VAR sugeriu a revisão do lance e achamos, no mínimo, falta de bom senso. Em nenhum momento houve empurra-empurra, violência, desrespeitando a arbitragem ou autoridades, apenas ponderando a nossa insatisfação”, disse Victor.

Procurador presente na sessão, Rafael Bozzano lembrou a reincidência de Rodrigo Caetano e classificou a conduta dos denunciados como gravosas.

“No presente caso, salvo o depoimento de um dos denunciados, não é capaz de afastar a presunção relativa de veracidade tanto da súmula quanto do delegado. Importante destacar o que foi dito pelo denunciado: Insatisfação. Eles forçaram a passagem, invadiram o vestiário da arbitragem e não teve nenhuma prova contrária. Outro ponto importante é o ofício enviado a Comissão de Arbitragem da CBF, que é o caminho adequado. Frisa-se que o denunciado Rodrigo Caetano é reincidente e tem um histórico considerável. O desrespeito nas palavras é claro. O denunciado atribuiu ao novo chefe da arbitragem o desejo de prejudicar o Atlético e como se toda a conduta da arbitragem foi premeditada. Isso ofende a moral e coloca em xeque toda a credibilidade do campeonato. Um suposto erro de arbitragem não pode ser um condão para que ofensas ocorram. Atribuir ao chefe da comissão da arbitragem é uma conduta tipificada no estatuto do torcedor como crime. Essa mesma suposição de manipulação de resultado foi levada aos órgãos policias para investigar a situação? A ofensa a honra do árbitro, da entidade e ao chefe da arbitragem ficou clara. O denunciado Victor também foi desrespeitoso ao se dirigir ao vestiário, ao descer e trazer a insatisfação com revolta e as palavras desrespeitosas estão tipificadas no artigo 258. A Procuradoria pede a procedência da denúncia com a gravidade com que o caso deve ser levado e que se leve em conta a reincidência do primeiro denunciado”, concluiu o representante da Procuradoria.

Responsável pelo jurídico do Atlético/MG, o advogado Luiz Ribeiro juntou prova de vídeo de lances da partida e destacou a forte emoção dos denunciados que se sentiram injustiçados.

“Em nenhum momento houve por parte dos denunciados qualquer interesse de ordem ou ofensa moral. Quantos processos passam nessa casa em que palavras de baixo calão e ofensas são colocadas e que, quando não há manifestação por parte dos ofendidos, não há motivação para punição em ofensa moral. O que houve ali foi uma efetiva reclamação contra a arbitragem. O que ocorreu foi uma insatisfação ao que foi colocado no campo e decidido perante as regras do jogo pela arbitragem. Dois lances no mesmo jogador. Jogada kung-fu com uma tatuagem deixada na barriga do atleta Guga. Infelizmente não estamos rediscutindo a partida, mas colocando as circunstâncias para entender como as reclamações ocorreram. Outra informação importante é que a porta da zona mista estava aberta e foi possível ouvir as palavras”, disse o advogado, que ainda acrescentou.

“Ao Rodrigo Caetano não houve um concurso material por ter sido decorrente de uma única ação. Um contexto mais de uma insatisfação. A própria arbitragem não colocou que teve a honra atingida. Quanto ao Victor, peço a absolvição por não estar se referindo de uma forma desrespeitosa, mas apenas se manifestando. Não sendo assim o entendimento, que se aplique a pena mínima aos denunciados”, finalizou a defesa do Atlético/MG.

Apesar do pedido da defesa, a auditora Adriene Hassen, relatora do processo, entendeu que os denunciados cometeram infração disciplinar gravosa e levou em conta o atenuante dos mesmos serem dirigentes.

“Ficou incontroverso a conduta dos denunciados e confirmado no depoimento do denunciado Victor. As condutas praticadas são recorrentes, reprováveis e não condizem com um ambiente esportivo. O esporte tem um caráter e viés social. Temos que destacar que, quando as condutas são de dirigentes é ainda mais periclitante. A indignação possui vias próprias. A conduta do dirigente Rodrigo de sair da zona, ir ao encontro da arbitragem, se insurgir com as palavras ditas e só sair com intervenção do policiamento, teve o intuito sim de atingir a arbitragem. Acolho parcialmente o pedido da Procuradoria e condeno o denunciado no artigo 258, inciso II uma única vez. Pela reincidência e, levando em conta que o caráter pedagógico não tem sido suficiente, aplico 60 dias de suspensão. De mesma forma entendo que as condutas do Victor ultrapassaram e desrespeitaram a arbitragem. Aplico suspensão de 20 dias e não substituo pela advertência entendendo como conduta mais gravosa e por ser dirigente”, justificou a relatora.

Vice-presidente da Comissão, o auditor José Dutra acompanhou a relatora.

“Vi que a defesa vai na linha de contextualizar e chama a prova de vídeo para colocar em cena a forte emoção dos dois denunciados inconformados com o comportamento do árbitro e se sentindo injustiçados. Apesar de entender o contexto, não considero para fins de abonar as condutas. Entendo que não houve concurso material e entendo que foram contínuas. Acompanho a relatora na dosimetria dos denunciados”, explicou.

O auditor Felipe Rego Barros também acompanhou a relatora e ainda acrescentou.

“Senti falta da denúncia do artigo 258-B por entender que houve invasão ao local da arbitragem. Equívoco da arbitragem não justifica. Fatos graves e merecem reprimenda”, concluiu.

Presidente da Quarta Comissão Disciplinar, o auditor Jorge Galvão concluiu a votação.

“Fiquei surpreso com a forma de defesa que tentou justificar os dizeres dos denunciados. Acompanho na íntegra o voto da relatora”, encerrou.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.