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Náutico: atletas e ex-integrantes da comissão punidos
05/08/2022 12h57 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
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A Quinta Comissão Disciplinar do STJD do Futebol julgou os integrantes do Náutico pelas infrações na partida contra o Tombense, pela Série B. Em sessão realizada nesta sexta, dia 5 de agosto, os auditores puniram o goleiro Lucas Perri com uma partida de suspensão, o zagueiro Victor Ferraz com duas partidas e os ex-integrantes da Comissão Técnica, Roberto Fernandes com duas partidas e Marcos Antônio Leme com quatro partidas. A decisão é de primeiro grau e cabe recurso ao Pleno, última instância nacional.

A Procuradoria denunciou os integrantes do Náutico pelas condutas praticadas na 14ª rodada da Série B.  O primeiro a receber o cartão vermelho foi o goleiro Lucas Perri. O árbitro justificou a expulsão por impedir uma oportunidade clara e manifesta de gol, tocando a bola pela segunda vez no reinício de uma falta a favor de sua equipe. O goleiro foi denunciado no artigo 250 do CBJD.

Nos acréscimos, o meia Victor Ferraz recebeu o vermelho direto por sair da área técnica e entrar na área de jogo proferindo palavras ofensivas ao árbitro e foi enquadrado no artigo 243-F. Em ato contínuo, o treinador de goleiros Marcos Antônio Leme saiu da área técnica e ofendeu também o árbitro. Ao final da partida o mesmo treinador de goleiros invadiu o campo de jogo e, segundo a súmula, só se afastou após a chegada do policiamento. O treinador foi denunciado por dupla infração ao artigo 243-F e uma vez no artigo 258-B.

Por fim, o árbitro informou que, quando a equipe de arbitragem entrava no vestiário, o então treinador Roberto Fernandes proferiu aos gritos na porta do vestiário do Náutico ofensas contra a arbitragem. O treinador também foi denunciado no artigo 243-F.

Em sessão o Subprocurador-geral Leonardo Andreotti reiterou a denúncia na íntegra.

“Trata-se de uma oportunidade clara de gol. O goleiro teve uma infelicidade ao dar o segundo toque e o árbitro narra a aplicação do vermelho direto. Também claríssima infração disciplinar do atleta Victor Ferraz. As palavras ditas caracterizam a ofensa no artigo 243-F. Ao treinador de goleiros foi denunciado por duas infrações. Uma quando é expulso por ofensa e outra após o término da partida ele invadiu o campo para de novo ofender. São duas condutas que devem ser analisadas separadamente e cumuladas no artigo 184. Por fim, o técnico deveria dar exemplo e ofende com palavras de certa ameaça. A Procuradoria requer a condenação dos denunciados”, concluiu.

A advogada Bárbara Petrucci informou a saída da comissão técnica do Náutico e justificou a conduta dos denunciados pelo erro da arbitragem na marcação de um pênalti.

“O treinador de goleiros foi infeliz no comportamento e nas palavras ditas. Apesar da marcação ter sido absurda e ter gerado muita insatisfação, não justifica. O pedido é que se observe a ficha disciplinar para atenuar a dosimetria. Após essa partida toda a comissão técnica foi demitida e já foi punido. Ao técnico Roberto Fernandes o árbitro foi específico ao citar que o técnico não foi na direção dele e que estava na porta do vestiário. Que se aplique a pena mínima”, disse a defesa, que seguiu.

“Ao goleiro a falta ocorreu, mas de menor gravidade. O lance foi no início do segundo tempo e ficou de fora de todo o restante do jogo. Entendendo que já foi mais que punido, a defesa requer que seja absolvido ou, não sendo o entendimento, que seja aplicada a pena mínima. Já o atleta Victor acabou desabafando de forma errada. Primaríssimo, com a ficha limpa e isso deve ser levado em consideração. Que haja a desclassificação para o artigo 258 e advertido para que repense na conduta praticada”, encerrou.

O pedido da defesa foi parcialmente acolhido pelo relator Gustavo Caputo.

“O jogo foi mais um daqueles cercado de muita polêmica em face das decisões da arbitragem, principalmente pelo pênalti inexistente marcado e que foi responsável pela infração cometida por três dos quatro denunciados. O goleiro foi expulso com vermelho direto após a intervenção do var. Ao correr para bater uma falta acabou escorregando e tocando a bola com o joelho e, em ato contínuo, chutou a bola. Entendo que a denúncia deve ser acolhida e o jogador punido com a suspensão de uma partida no artigo 250, inciso I”, disse o auditor, que seguiu com o voto.

“O atleta Victor Ferraz não entendo tipificada ofensa moral, mas desrespeito tratado no artigo 258. Levando em consideração o contexto, entendo que ficou na linha tênue e aplico duas partidas no artigo 258, inciso II. Na mesma linha de raciocínio desclassifico a conduta do treinador de goleiros e aplico dois jogos na primeira conduta do artigo 258 e mais dois jogos no artigo 258 pela segunda infração, absolvendo no artigo 258-B. Ao treinador aplico dois jogos no artigo 258 pelo desrespeito”, concluiu.

Os auditores Vanderson Maçullo, Alessandra Paiva e o presidente Otacílio Araújo votaram na íntegra com o relator, enquanto o auditor Eduardo Mello divergiu parcialmente justificando.

“Ao goleiro, se a infração que impediu a oportunidade de gol interfere no resultado da partida a punição deve ser maior. Por essas razões aplico duas partidas ao goleiro. Ao treinador de goleiros a segunda ofensa tem uma acusação mais forte. Aplico dois jogos no 258 pela primeira infração e aplico na segunda infração o artigo 243-F com pena de quatro partidas e multa de R$ 100”, explicou.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.