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Maqueiros do Náutico são suspensos após desrespeito em jogo da Série B
27/09/2022 13h26 | STJD

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Os maqueiros que cometeram infrações na partida do Náutico com o Vila Nova/GO, pela 25ª rodada da Série B do Brasileirão, foram punidos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol nesta terça-feira, 27. Por desrespeito, Natanael de Andrade e Carlos de Araújo foram suspensos por 50 e 20 dias, respectivamente, por maioria de votos dos auditores da Segunda Comissão Disciplinar. Sete gandulas do jogo também foram suspensas, e o clube pernambucano foi multado em R$ 3 mil pelas condutas de seu quadro de funcionários. 

Na súmula do jogo, disputado no dia 19 de agosto, no Estádio dos Aflitos, o árbitro descreveu os fatos ocorridos logo após a entrada dos maqueiros para atendimento a um jogador do Vila Nova, já nos acréscimos do segundo tempo:

“Ao chegarem próximo ao atleta, o maqueiro sr. Natanael Alves de Andrade atirou a maca contra o chão de maneira acintosa e desrespeitosa, quase atingindo o atleta lesionado. Nesse momento passou a reclamar de minhas decisões com as seguintes palavras: "vocês tão nos roubando, tá de sacanagem, foi pênalti, tá nos roubando, vai tomar no c…". Nesse momento, o outro maqueiro sr. Carlos Eduardo Correia de Araújo também passou a proferir as seguintes palavras: "tá de brincadeira, vai tomar no c…, veio só pra nos roubar". A partir desse momento expulsei os dois maqueiros. Informo ainda que, ao retirar o atleta na maca, o sr. Natanael Alves de Andrade, no momento em que chegou fora do campo de jogo, simplesmente atirou a maca ao solo derrubando o atleta do Vila Nova”.

Após analisar os relatos da súmula e juntar provas de vídeo aos autos, o Procurador Rafael Bozzano foi o responsável pela denúncia e ressaltou a postura dos dois maqueiros, que “protagonizaram cenas lamentáveis e que tiveram grande repercussão na imprensa nacional”.

Pelas palavras ditas ao árbitro, o maqueiro Carlos de Araújo foi enquadrado no artigo 243-F do CBJD, por “ofender alguém em sua honra”, que prevê pena de multa de R$ 100 a R$ 100 mil e suspensão pelo prazo de 15 a 90 dias para este caso.

Já o maqueiro Natanael de Andrade foi denunciado no 243-F pelos xingamentos e, pelo arremesso da maca próxima do atleta do Vila Nova, também foi enquadrado no artigo 250 do CBJD, por “praticar ato desleal”, que prevê gancho de 15 a 60 dias. As possíveis punições serão cumulativas conforme o artigo 184 do CBJD.

Gandulas e Náutico também denunciados

O árbitro também relatou na súmula sobre a irregularidade na conduta da equipe de gandulas durante o segundo tempo da partida:

“Quando o placar encontrava-se favorável à equipe mandante, foi verificado uma má conduta de trabalho generalizada por parte das gandulas na reposição de bola, retardando e escondendo bolas em alguns momentos. A partir do momento em que o placar ficou favorável à equipe visitante, generalizadamente voltaram a trabalhar de maneira adequada, inclusive agilizando com mais rapidez a reposição de bolas”.

Assim, a Procuradoria entendeu que houve “conduta contrária à disciplina”, como descrito no artigo 258 do CBJD, e apresentou denúncia contra as seis gandulas: Caroline de Araujo, Graziely Romero, Ingrid da Silva, Jessica Barbosa, Luana de Lima e Milena de Aguiar. A pena para este caso é de suspensão pelo prazo de 15 a 180 dias.

Responsável por administrar o quadro de gandulas, conforme previsto no artigo 7º, VIII do RGC, o Náutico acabou deixando de cumprir o regulamento e foi denunciado com base no artigo 191, III do CBJD, que prevê pena de multa de R$ 100 a R$ 100 mil. 

Como foi o julgamento

Após a leitura do processo na sessão de julgamento e apresentação de provas de vídeo, o Subprocurador-geral Gustavo Silveira, pediu a condenação dos denunciados em seu discurso.

“Em relação aos maqueiros, não só pela atitude que nós vimos aqui de jogar a maca no chão ao carregar o atleta e deixá-lo cair, que foi um ato desrespeitoso, o que mais chama a atenção foram as manifestações de desrespeito com xingamentos ao árbitro, que chega a ficar incrédulo. Nunca vimos um maqueiro se dirigir ao árbitro daquela forma, é um cargo neutro. Peço a condenação de todos os envolvidos neste processo”, declarou.

Em defesa ao clube, às gandulas e aos maqueiros, a advogada Patrícia Moreira fez a sustentação logo em seguida.

“Sobre as gandulas, considerando que depois elas adotaram o comportamento adequado conforme relatado na súmula, a defesa pede a absolvição ou aplicação da pena mínima, assim como para o Náutico, que faz o treinamento ao quadro de gandulas. Sobre os maqueiros, causou um certo espanto da defesa. São maqueiros, mas esqueceram a real função do cargo. O Natanael confirmou que reclamou por não ter sido marcado um pênalti a favor do Náutico e isso acabou provocando essa atitude impensada por parte dele. É uma conduta muito atípica e o senhor Natanael teve uma atitude exagerada de reclamação. Então a defesa pede a desclassificação da denúncia para o 258, e absolvição no artigo 250. Ele teve uma comportamento inadequado para a sua função. Da mesma forma ao maqueiro Carlos Eduardo, que a defesa não viu tempo hábil para ele ter proferido todas as palavras descritas pelo árbitro, peço a absolvição dele ou também a desclassificação para o 258, por entender que, se reclamou, foi de forma desrespeitosa”, disse a defensora.

Após todas as sustentações, o relator Iuri Engel votou em aplicar multa de R$ 3 mil ao Náutico e suspensão de 15 dias às gandulas, com exceção da Milena de Aguiar, reincidente, para gancho de 30 dias. Sobre os maqueiros, o relator desclassificou os artigos da denúncia e explicou a decisão das dosimetrias:

“Sobre o Natanael, não me parece que o árbitro está se sentindo ofendido, mas está achando cômico o maqueiro dar aquele piti dentro de campo. Não vejo nenhum risco da maca ter acertado o jogador, em nenhum momento o movimento das macas foi contra o jogador, mas contra o árbitro. Então estou absorvendo o artigo 250 no 258 e aplicando 50 dias de suspensão. Ao Carlos, também desclassifico para o 258, e aplico 20 dias”, disse.

O presidente Felipe Silva acompanhou integralmente o voto do relator. Os auditores Carlos Eduardo Cardoso e Diogo Maia acompanharam sobre a pena às gandulas e a multa ao Náutico e, também, na dosimetria da pena aos maqueiros, mas mantendo a tipificação do artigo 243-F, por ofensa. Além dos ganchos de 20 e 50 dias, aplicando multas de R$ 100 e R$ 200 aos denunciados Carlos Eduardo e Natanael de Andrade, respectivamente.

“O maqueiro Natanael entrou completamente alterado, as palavras ditas foram muito graves e, para finalizar, teve a cena de comédia pastelão de abandonar a maca e sair correndo”, justificou o auditor Diogo Maia.

Já o auditor Washington Oliveira divergiu do relator, aplicando penas superiores:

“Houve uma falta de fair-play do corpo de gandulas, com uma tendência de beneficiar o clube. Aplico 60 dias para todas as gandulas, e 65 para a Milena pela reincidência. Multa de R$ 5 mil ao Náutico por todo o contexto. E pena de 30 dias de suspensão ao maqueiro Carlos Eduardo, e 90 dias ao maqueiro Natanael, ambos no artigo 258 do CBJD”, disse.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.