LEIA MAIS@ 22/01/2021 - 13h28 | Atletas da Série D punidos
LEIA MAIS@ 20/01/2021 - 12h19 | Auditor agenda oitivas para apurar injúria na Série A
LEIA MAIS@ 19/01/2021 - 18h36 | STJD destina transações para ajuda a Manaus
LEIA MAIS@ 19/01/2021 - 13h14 | Avaí pede impugnação da partida contra o CSA
LEIA MAIS@ 19/01/2021 - 10h18 | Relator concede efeito suspensivo a Lisca

Mano Menezes punido por ofensa
30/11/2020 18h35 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
a A

O técnico Mano Menezes foi julgado e punido nesta segunda, dia 30 de novembro, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol. Denunciado por ofender o árbitro José Mendonça da Silva Junior na partida contra o Fluminense, o treinador do Bahia foi punido com quatro jogos por infração ao artigo 243-F do CBJD. No mesmo processo o Fluminense foi multado em R$ 800 por atrasar em um minuto o reinício da partida. A decisão foi proferida por unanimidade dos votos da Primeira Comissão Disciplinar e cabe recurso.

O árbitro José Mendonça da Silva Junior narrou na súmula o atraso do Fluminense e fez constar ainda a conduta de Mano Menezes.

“Informo que após o encerramento da partida, já no vestiário do estádio, tomei conhecimento de que o técnico da equipe Esporte Clube Bahia, senhor Luiz Antônio Venker Menezes, adentrou o campo de jogo proferindo as seguintes palavras aos seus atletas se referindo a minha pessoa: "deixa esse vagabundo aí, não quero que reclame com vagabundo não. Deixa roubar! " pude constatar tal ato através de imagens gravadas da transmissão da partida e me senti ofendido em minha honra.", relatou o árbitro da partida.

A Procuradoria denunciou o Fluminense por infração ao artigo 206 do CBJD e Mano Menezes no artigo 243-F, ambos do CBJD.

Em sessão virtual o Procurador Giovani Mariot sustentou o pedido de condenação ao Fluminense. “Os fatos narrados nessa denúncia são graves e lamentáveis. Quanto ao Fluminense está evidenciado o prazo de retorno para reinício da partida ao não observar o prazo e atrasar em dois minutos. O 206 se dá por observância a súmula do Pleno que diz que quando o atraso tiver atraso ao reinício do jogo a equipe responde ao artigo”, disse o Procurador, que seguiu pedindo a condenação de Mano Menezes.

“Quanto ao segundo denunciado o seu comportamento foi alvo de intensa discussão na imprensa esportiva e ficou claro nas imagens que ele de fato ultrapassou o limite. Mais tarde ele compareceu a imprensa e mostrou-se arrependido por ter chamado o árbitro de vagabundo. Ele também foi alvo de comentário quando declinou de cumprimentar o técnico da equipe adversária. Por conta disso foi inserido nos termos do artigo 243-F. O próprio árbitro lançou que se sentiu ofendido, mas sobretudo compromete a atuação da arbitragem e da competição. Extremamente grave, reprovável e merece repulsa ao seu comportamento”, encerrou.

Lucas Maleval, advogado do Fluminense, pediu a condenação do clube em apenas um minuto. “O Fluminense ingressa com dois minutos de atraso, mas fato é que o atraso ao retorno e reinício é de apenas um minuto conforme relatado na súmula”, explicou.

Advogado do Bahia, Milton Jordão iniciou a defesa destacando diversos erros do VAR ocorridos nos jogos que antecederam o episódio com Mano Menezes. Em seguida, o defensor sustentou. “Não é toda palavra que deve ser vista como ofensa a honra. A Procuradoria faz uma confusão. A Procuradoria colore a denúncia com falas extraídas em órgãos de imprensa. O árbitro diz na súmula que deu amarelo pela gesticulação e desrespeito, mas não disse o que falou. O árbitro grafou na súmula que este episódio ocorreu e colore mais na denúncia que Mano não cumprimentou o adversário como se fosse o pior dos árbitros do Brasil. É um treinador contestador, que conhece a regra e o jogo e que não compareceu por estar se recuperando da covid”, disse o advogado, que continuou.

“Mano em nenhum momento se referiu diretamente ao árbitro. Ele vai e conversa com o árbitro e não relata nenhum tipo de agressão ou ofensa por parte dele. O que ouvimos foi inadequado e grosseiro dele se referir aos seus atletas falando do árbitro. É uma reclamação desrespeitosa, acintosa. Um protesto ao que entendeu se uma arbitragem desastrosa. Ele vai tirar os atletas da reclamação. O árbitro diz que ouviu de terceiros e viu no vídeo. Não estaríamos diante de uma interferência externa para classificação de uma infração disciplinar? Não estamos diante de ofensa e sim de uma crítica”, defendeu Milton Jordão.

Relator do processo, o auditor João Rafael Soares votou para multar em R$ 800 o Fluminense por infração ao artigo 206 do CBJD e, em seguida, justificou a punição ao técnico Mano Menezes. “Importante destacar o que foi colocado na súmula. Embora as questões da reportagem, mas assistindo a partida somente com o áudio do jogo foi muito constrangedor com o árbitro que colocou que se sentiu ofendido. As palavras foram graves, além de todos os aspectos. Entendo que houve sim infração ao artigo 243-F e aplico o parágrafo primeiro que diz que quando a infração for cometida contra membros da arbitragem a pena mínima será de quatro partidas”.

O auditor Miguel Cançado acompanhou o relator acrescentou. “Chama a atenção a reiteração de excessos e manifestações contra a arbitragem. Tenho para mim que é um agravante ser o técnico a se conduzir assim. Acompanho o relator integralmente”, concluiu.

Os auditores Ramon Rocha e Fernando Cabral Filho também votaram na íntegra com o relator.

Presidente da Primeira Comissão Disciplinar, o auditor Alcino Guedes acompanhou na multa de R$ 800 ao Fluminense e na pena de quatro partidas a Mano Menezes destacando. “A maneira como se portou foi altamente constrangedora e ofensiva. Uma punição, que a meu ver, serve de motivação para que o próprio Mano e os demais técnicos”, encerrou.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.