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Lisca suspenso por dois jogos
18/01/2021 14h19 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
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A Primeira Comissão Disciplinar do STJD do Futebol puniu o técnico Lisca, do América/MG, por desrespeitar a arbitragem na partida contra a Ponte Preta, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Julgado na tarde desta segunda, dia 18 de janeiro, Lisca recebeu duas partidas de suspensão por infração ao artigo 258, inciso II do CBJD. A decisão foi proferida por maioria dos votos e cabe recurso.

Na briga pelo título da Série B do Brasileiro e caminho de Pelotas, o técnico Lisca participou do julgamento através do celular e prestou depoimento sobre os fatos narrados na súmula da partida entre América/MG e Ponte Preta.  

“Um gol totalmente legal e a minha dúvida que ainda não consegui entender é quem anulou o gol. Quem interferiu e anulou o gol. Não ofendi ninguém e só disse que meu time estava sendo prejudicado e falei que depois são promovidos. Já participei de vários campeonatos que os juízes erram e acabam crescendo na competição e sendo promovidos. Nossos árbitros precisam ter melhores condições...Foi só uma constatação de que fiz ao longo na minha carreira. Acho que a profissionalização acabaria com isso e não promoveríamos mais quem tanto erra. Fui perguntar e fazer uma reclamação de um erro grotesco que nos custaram dois pontos na briga pelo título. Ofensas eu realmente controlo muito para não ter uma pena agravada nos julgamentos”, disse o treinador.

Após o depoimento do treinador o Procurador Giovani Mariot sustentou a denúncia. “A situação dos autos se revela bem clara. Em que pese tratar do segundo amarelo é de se destacar que a motivação foi a perda de controle por parte do denunciado. Ele mesmo lamentou a perda de controle, apesar de negar as ofensas. O treinador é a pessoa que deveria transmitir calma e equilíbrio ao seu plantel. A súmula não foi afastada e vai além da pura e simples reclamação. Uma reclamação desrespeitosa e por muito pouco não chegou a uma ofensa. A procuradoria insiste e clama pela procedência da denúncia”, encerrou.

Pelo América/MG, o advogado Henrique Saliba discordou da Procuradoria e afirmou que não se trata de uma reclamação desrespeitosa. “Uma reclamação corriqueira e dentro dos limites. Um treinador incomodado por um gol anulado. Peço vênia para discordar do entendimento da Procuradoria. Um vocabulário comum praticado dentro de uma partida, mas que não se dirige contra o árbitro e sim de forma geral contra a marcação da arbitragem. A gente tem que destacar a dor e a revolta provocados naqueles que trabalham no dia a dia...A prova de vídeo mostrou que a reclamação foi razoável. Reclama, mas não se demonstra descontrolado e falando palavrões. Se houve uma infração disciplinar a conduta já foi punida com a expulsão e o cumprimento da suspensão automática. O América luta ponto a ponto pelo título da Série B e tirá-lo traria um prejuízo técnico imensurável e não justificaria uma pena maior”, concluiu a defesa.

Apesar do pedido da defesa, o relator do processo, auditor Fernando Cabral Filho votou para punir o treinador do América/MG.

“As defesas se colocam numa posição de demonstrar supostos erros da arbitragem para tentar justificar uma reclamação desrespeitosa, ou seja, uma ofensa. Peço vênias as defesas, os erros eventualmente cometidos têm um foro legal e um exercício desse direito regular de reclamar. Reclamar não é infração. Reclamar acintosamente, de forma desrespeitosa e ofender a honra de alguém é uma infração. A súmula é clara no sentido de que o árbitro dispõe do que foi dito. Tudo que foi dito pelo árbitro caberia a defesa elidir o que está na súmula. A defesa disse que os vídeos trazem áudios que demonstrariam que não foi dito. O denunciado também disse que não falou, mas infelizmente não consegui escutar nada que pudesse me convencer. Esse exercício probatório na análise dos autos não consigo afastar a legitimidade da súmula e sou obrigado a considerar que foram ditos e constitui uma reclamação qualificada que atrai a infração no artigo 258. Não consigo fixar essa pena no mínimo legal pela condenação na ficha disciplinar do Senhor Lisca. Uma advertência é pena e na forma do 179, inciso 6. Voto para julgar procedente a denúncia no artigo 258, inciso II, fixando a pena em duas partidas de suspensão”, justificou o relator.

Vice-presidente da Primeira Comissão Disciplinar, o auditor Sérgio Furtado Coelho votou em seguida. “Ao meu entender foram palavras ofensivas direcionadas ao árbitro da partida. Diante da ausência no sentido contrário, acolho os termos da denúncia e acompanho o relator na pena de suspensão por duas partidas pelo artigo 258, inciso II”, votou.

Já o auditor Ramon Rocha divergiu. “Penso que o árbitro da partida, autoridade que presenciou aos fatos, é quem vai valorar. A despeito do árbitro ter punido com segundo amarelo, a denúncia e os termos denotam uma reclamação desrespeitosa em face da arbitragem. Atrelado ao depoimento claro e convincente do denunciado, peço vênia e voto pela absolvição do denunciado”, explicou.

O auditor João Rafael Soares acompanhou o relator. “Embora tenha sido a segunda advertência o árbitro colocou que a primeiro amarelo foi por desaprovar com palavras e gestos e no segundo cartão foi bem específico e narrou o que foi falado. Vou acompanhar o relator na aplicação de duas partidas”, finalizou.

Presidente da Primeira Comissão, o auditor Alcino Guedes abriu nova divergência. “Não estamos julgando se a arbitragem foi boa ou ruim. Estamos aqui julgando infração disciplinar. Levo em consideração o comparecimento, o que diz o denunciado e temos que levar também em conta o arrependimento. Vou puni-lo com um jogo de suspensão por infração ao artigo 258, inciso II”, concluiu.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.