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Gre-Nal: Patrick e Bruno Cortês punidos
03/12/2021 19h20 | STJD

Divulgação / Site STJD
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O meia Patrick, do Internacional, foi punido em uma partida e o lateral-esquerdo Bruno Cortês, do Grêmio, advertido. Os dois clubes gaúchos e o árbitro Marcelo de Lima Henrique foram absolvidos. Patrick foi denunciado por mostrar um caixão de papelão simulando o rebaixamento do adversário e deu início a um tumulto generalizado. A decisão é da Quinta Comissão Disciplinar do STJD do Futebol e cabe recurso. O julgamento ocorreu nesta sexta, 3 de dezembro.

Segundo o relato do árbitro Marcelo de Lima Henrique, após o término da partida entre Internacional e Grêmio, no dia 6 de novembro, pela Série A, houve um tumulto generalizado entre os atletas de ambas as equipes, controlado pela força de segurança do estádio. Patrick foi até a arquibancada onde estavam os torcedores do Inter e recebeu duas placas em formato de caixão com as cores do Grêmio, uma cruz e a letra B. O meia levou os objetos até o campo e os levantou, exibindo em tom provocativo. Bruno Cortês correu em direção ao Patrick e deu um tranco com o peito no ombro do adversário.

Patrick, Cortês, Grêmio e Internacional foram enquadrados no artigo 257 do CBJD, “rixa, conflito ou tumulto”. Com base em imagens da partida, a Procuradoria entendeu que mais jogadores se envolveram na confusão, por isso denunciou os clubes. Da mesma forma, ao não identificar os demais envolvidos, teria o árbitro Marcelo de Lima Henrique se omitido, o que ensejou a denúncia nos termos do artigo 266 do CBJD, “deixar de relatar as ocorrências disciplinares da partida”.

O jogador do Internacional negou que tenha provocado os adversários.

"Confere esse fato de eu ter levantado o caixão para torcida. Lembrando que só existia a torcida do Inter no estádio, foi um momento de comemoração com a minha equipe, o time do Grêmio já estava saindo inclusive. Eu peguei um objeto com a minha torcida para comemorar, de costas para equipe do Grêmio, de costas para a comissão, justamente para não gerar conflito. Alguns jogadores viram e tentaram tirar da minha mão. Criou-se uma confusão, mas não houve agressão, foi mais uma tentativa de tirar satisfações”, contou Patrick.

Marcelo de Lima Henrique também foi ouvido pela Comissão Disciplinar.

“Patrick narrou bem o que aconteceu. A minha súmula tem que ser muito clara e concisa. Foi o que vi em campo. Também fui surpreendido. De repente quando olho, o atleta foi até a arquibancada, levantou as placas. Eu pude observar que a equipe do Grêmio já estava se preparando para sair, o que gerou um princípio de tumulto. Fiz o que achei necessário, não vi necessidade da expulsão de nenhum atleta. A partir do momento em que mostrei o cartão para o Cortês, mostrei para o Patrick, e esse tumulto foi se dissipando com todos conversando. Tenho certeza que se o nobre Procurador tivesse visto alguma agressão, outros atletas estariam denunciados. Não vi nada passível de expulsão. Não poderia acrescentar nada mais que não tivesse visto no campo de jogo”, disse Marcelo de Lima Henrique

O pProcurador da sessão, Álvaro Cassetari, por entender que houve erro material da denúncia, pois consta que o árbitro deixou de colocar a ocorrência dos fatos na súmula, o que não aconteceu, pediu a absolvição do árbitro.

Rogério Pastl defendeu Patrick e o Internacional.

“A denúncia adjetiva a conduta do árbitro. Se o árbitro poderia escrever os fatos, não há rixa. Acho que o Marcelo foi muito feliz na condução do jogo, no depoimento. Se houvesse algum fato grave, a Procuradoria poderia ter feito uma denuncia mais gravosa. Só a torcida do Internacional estava no estádio, a torcida do Grêmio estava suspensa. A prova de vídeo é clara em mostrar isso, também que apenas alguns jogadores do Grêmio foram tirar satisfações com o Patrick. O Grêmio não aceitou a comemoração, mesmo com tudo que fazem quando vencem o clássico. Não sabem perder e não sabem reconhecer a capacidade do outro e limitação própria. O Patrick não deu causa à confusão, apenas estava comemorando com a sua torcida.

Pelo Grêmio advogou Marcelo Mendes.

“Todo o conjunto probatório, de certa forma, trouxe um sentimento de que o processo seria simples. E realmente é. A Procuradoria criticou o árbitro por uma suposta preguiça de fazer a súmula e não denunciou outras pessoas que poderiam ter sido identificadas. Não é papel do árbitro ficar procurando novos fatos, mas é da Procuradoria sim, que preferiu jogar os atletas no artigo 257 e Grêmio e o Internacional por suposta impossibilidade de identificação dos contendores. O árbitro foi expresso e específico. O Cortês agiu em resposta ao atleta Patrick, mas a conduta foi uma só, que foi esse tranco no peito do adversário. Uma conduta individualizada.

O árbitro Marcelo de Lima Henrique foi defendido pela advogada Patrícia Nogueira.

“A minha defesa ficou muito fácil porque tivemos o depoimento do denunciado, por tudo que foi falado pelas defesas e por o Procurador pedir a absolvição do mesmo. No mínimo foi desrespeitoso por parte do Procurador que fez a denúncia dizer que a súmula foi preguiçosa. A defesa não tem outro pedido a fazer, porque nesse caso aqui realmente não há outra decisão que não a absolvição do árbitro”, sustentou Patrícia.

O relator Gustavo Caputo proferiu o voto.

“A zoação faz parte do futebol, quando feita de forma saudável. Dentro do vestiário ou do clube até se pode admitir uma ou outra provocação, mas não dentro de campo na presença do adversário. Esse tipo de conduta quase sempre termina em tumulto, como o ocorrido. A conduta é grave e deve ser enquadrada no artigo 258 do CBJD. O Patrick não participou do tumulto, ele o provocou. Nessa linha de raciocínio, eu condeno em três partidas de suspensão.”

A auditora Alessandra Paiva acompanhou na desclassificação para o artigo 258 do CBJD e divergiu na suspensão, aplicando apenas uma partida. O presidente em exercício Eduardo Mello acompanhou a divergência e formou maioria.

O auditor José Maria Philomeno desclassificou para o artigo 258-A, “provocar o público”, e aplicou dois jogos.

Bruno Cortês foi punido em um jogo pelo relator e pelo presidente quanto à desclassificação para o artigo 250 do CBJD, mas, com a divergência da auditora Alessandra Paiva pela aplicação de um jogo, acompanhada pelo auditor José Maria Philomeno, prevaleceu a pena mais benéfica ao denunciado.

Os clubes e Marcelo de Lima Henrique foram absolvidos. O árbitro por unanimidade e Inter e Grêmio por maioria, ficando vencido o relator que aplicava multa de R$ 10 mil a cada clube.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.