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Fortaleza x Atlético/MG: processo julgado
07/01/2021 12h02 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
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O STJD do Futebol retomou nesta quinta, dia 7 de janeiro, as sessões de julgamentos. Em sessão da Quarta Comissão Disciplinar os auditores julgaram as ocorrências na partida entre Fortaleza e Atlético/MG, pela Série A do Campeonato Brasileiro. O clube mineiro foi multado em R$ 2 mil por atrasar em dois minutos o reinício da partida. Expulsos em campo, o atleta Felipe, do Fortaleza, foi absolvido da denúncia por jogada violenta, enquanto o auxiliar técnico Charles Hembert foi punido com dois jogos de suspensão por desrespeitar a arbitragem. A decisão, proferida por maioria dos votos, cabe recurso.

A partida entre Fortaleza e Atlético/MG foi realizada em 7 de outubro de 2020. Na súmula o árbitro narrou o atraso do time visitante que gerou o reinício da partida dois minutos após o horário previsto. O árbitro narrou ainda que expulsou com o segundo amarelo o camisa 15 do Fortaleza por calçar o adversário de forma temerária e informou que expulsou o auxiliar de Rogério Ceni, Charles Hembert, por ofender a arbitragem antes e após a expulsão do atleta Felipe. Segundo o árbitro o auxiliar teria dito que o árbitro roubou, além de fazer gestos de roubo com as mãos.

Atualmente na comissão técnica do Flamengo, Charles prestou depoimento após a exibição das provas de vídeo e falou sobre o episódio. “O Felipe levou um cartão amarelo e minutos depois levou o segundo sem nem ter tocado no jogador adversário. Infelizmente o árbitro errou e fomos muito prejudicados e ficamos com 10 jogadores. Por isso, a gente se aproxima para falar que estava errado e levei o primeiro cartão amarelo e, sem seguida, levei o vermelho. Em momento algum falei que o árbitro roubou e fiz gesto de roubo, apenas falei que tinha errado e que tinha nos prejudicado”, disse Charles.

Procurador da Justiça Desportiva, Rafael Bozzano reiterou os termos da denúncia. “Pela procedência do Atlético /MG. O atleta Felipe foi advertido com o segundo amarelo. Pelas imagens o árbitro estava de frente do lance e demonstra a solada, mas não foi capaz de elidir a súmula. As imagens do auxiliar técnico também foram claras. O denunciado recebe um cartão amarelo e aos 42 recebe o vermelho direto. As palavras da súmula constam que ele disse que o árbitro roubou. Acusar o árbitro de roubo é sim uma ofensa a honra. Novamente o árbitro estava de frente para o denunciado e o estádio estava vazio. Qualquer palavra ecoa e se consegue identificar. Quantos aos gestos, diversas vezes o denunciado gesticulou e o vídeo não for capaz de elidir que não fez gesto de roubo”, concluiu.

O advogado Lucas Ottoni acompanhou o julgamento pelo Atlético/MG afirmou não ter provas para elidir o atraso narrado na súmula e pediu justiça.

A advogada Patrícia Saleão representou o Fortaleza e fez a defesa do atleta Felipe. “Expulso em razão da segunda advertência. De fato, ele não tocou no adversário na segunda falta. O vídeo é bem claro. Essa falta não existiu e acabou gerando a expulsão incorretamente. Felipe é um atleta de 26 anos que fez 24 jogos em 2020 ostenta a qualidade de primaríssimo e deve ser considerado. A defesa pede a absolvição do atleta”, sustentou.

Rodrigo Frangelli, advogado do Flamengo, defendeu o auxiliar Charles Hembert. “Diferentemente da interpretação da Procuradoria e comprovado pelas imagens apresentadas, o auxiliar Charles em momento algum fez gesto de roubo para o árbitro. Ele gesticulou com os braços abertos para o alto. Não houve falta e quando saiu o gol o auxiliar reclamou que foram prejudicados. Está comprovado de que não houve falta. Foi uma interpretação equivocada do árbitro. A reclamação não é proibida e não foi desrespeitosa. A defesa pede absolvição de Charles.  Caso não entendam, que haja a desclassificação para o artigo 258 uma vez que ficou claro que não houve ofensa”, encerrou.

Relator do processo, o auditor Maurício Neves votou para aplicar multa de R$ 2 mil ao Atlético/MG pelo atraso de dois minutos. Em seguida anunciou o voto aos demais denunciados. “O atleta Felipe concordo com a defesa  e não vi infração. Ao meu ver o adversário simulou. O atleta é primaríssimo e estou absolvendo. Em relação ao auxiliar Charles não era nem para estar na beira do campo. O técnico estava fazendo sua função. Reclamar direto com o árbitro tem suas implicações. Me parece habitual na questão da reclamação. Desclassifico para o artigo 258 e aplico duas partidas de suspensão para que melhore sua postura”, justificou o relator do processo.

Os auditores Felipe Rego Barros, Rodrigo Salomão e o presidente da Quarta Comissão, auditor Jorge Galvão, acompanhara o relator na íntegra.

Já a auditora Adriene Hassen divergiu quando o auxiliar Charles. “Acredito que imputar roubo ao árbitro é uma ofensa e vai além do desrespeito. Vou aplicar a agravante da reincidência com duas partidas e multa de R$ 2 mil mantendo a capitulação no artigo 243-F”, explicou.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.