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Forta x São Paulo: Infrações da Copa BR julgadas
11/01/2021 17h39 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
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A Primeira Comissão Disciplinar do STJD do Futebol julgou nesta segunda, dia 11 de janeiro, as ocorrências na partida entre Fortaleza e São Paulo, pelas oitavas da Copa do Brasil. Por unanimidade dos votos, Fernando Diniz foi punido com uma partida de suspensão por desrespeitar a arbitragem. Já por maioria dos votos, o São Paulo teve o preparador físico Wagner Bertelli suspenso por uma partida por reclamação desrespeitosa e os dirigentes Fernando Bracalle e Alexandre Pássaro punidos com 20 dias de suspensão e multa de R$ 5 mil, cada, por ofender a arbitragem. O Fortaleza teve o goleiro Felipe Alves suspenso por uma partida por jogada violenta, o lateral Carlinhos punido com uma partida por reclamação desrespeitosa, enquanto o ex-auxiliar do clube Charles Hembert foi punido com duas partidas por desrespeitar a arbitragem. A decisão cabe recurso.

A denúncia foi feita com base nos relatos e vídeos da partida entre Fortaleza e São Paulo, primeiro confronto pelas oitavas da Copa do Brasil.

Em sessão de julgamento, após exibição das provas de vídeos, o procurador Pedro Wortmann sustentou: ”Temos visto com muita recorrência participantes do jogo tentarem interferir na tomada de decisões. Quanto ao Fernando Diniz a prova de vídeo mostra que foi advertido por reclamação acintosa e continuou a tentar interferir nas decisões e foi expulso. O CBJD não censura a emoção do jogo e sim o que extrapola, o excesso. O juiz teve que parar o jogo e apresentar o cartão. Charles e Wagner não são treinadores e excederam e precisam respeitar. Carlos Emiliano ofendeu a honra do árbitro”, disse o procurador, que continuou.

“Fernando e Alexandre são dois dirigentes que merecem atitudes severas do STJD. Temos na súmula e na Notícia de Infração narrativas dos fatos. Eles saem da área e vão em direção ao árbitro. Diante da ausência de torcedores está sendo comum os dirigentes se comportarem como tal.  O excesso deve ser punido. Devemos proteger o árbitro de futebol e não podemos considerar como normal as atitudes dos dirigentes denunciados. O goleiro Fernando Alves colocou em risco a integridade do adversário e a Procuradoria entendeu que estão presentes os elementos do artigo 254”, concluiu.

A advogada Luciana Lopes defendeu o técnico Fernando Diniz. “Não estamos aqui para punir a pura reclamação. Questão simples e técnica. O artigo fala em desrespeitar a arbitragem ou reclamar de forma desrespeitosa. Analisando as imagens não consegui identificar o desrespeito nas palavras e nos gestos do técnico Fernando Diniz. Ele toma o cartão amarelo e depois toma o vermelho. Imediatamente ele para, não faz gestos e sai sem reclamar. O árbitro sequer relata as palavras, o que foi dito ou feito.  O que temos que analisar é o potencial lesivo na conduta do treinador e não houve. Reclamar não é tentar interferir nas decisões.  A defesa vem pedir a absolvição do técnico do São Paulo”, defendeu.

Logo após a advogada Bárbara Petrucci defendeu os atletas do Fortaleza. “Felipe Alves foi expulso por impedir um ataque promissor com um calço e não houve nenhum dano ao adversário. Na visão da defesa é que foi um lance de jogo. Atleta primário e a defesa requer a absolvição. Carlinhos simplesmente disse: “Você é um palhaço”. Ele quis dizer que o árbitro estava de brincadeira, mas sem ofender a honra ou zombar do árbitro. Ali sim foi uma reclamação, mas não entendo que foi desrespeitosa e ultrapassou o limite. Considerando a primariedade, a defesa pede a desclassificação para o artigo 258 e seja aplicado a pena mínima de advertência”, encerrou.

Atualmente no Flamengo, o auxiliar Charles Hembert foi defendido pelo advogado Rodrigo Frangelli. “O árbitro foi informado por terceiros que o auxiliar Charles, eventualmente, pronunciou é roubo, mas não ficou claro em que situação, em qual momento da partida e para quem foi dito. O relato é de forma genérica, solta na súmula. Nem o árbitro escutou. O artigo 79 do CBJD destaca que a denúncia precisa ser escrita de forma detalhada. A defesa tem dificuldades de sustentar pelo árbitro não ter relatado conforme consta no artigo 79. A defesa requer que a denúncia seja considerada inepta. A defesa requer a absolvição por não entender o que de fato ocorreu. Não podemos deduzir o que realmente ocorreu”, finalizou.

Pelo São Paulo o advogado Pedro Henrique Moreira falou em favor do preparador e dos dirigentes. “É evidente que o árbitro não relatou de forma correta o que aconteceu nessa partida. Partida extremamente tumultuada por erros do árbitro da partida. Resumidamente estava todo mundo errado, menos o árbitro. O árbitro não teve controle emocional na partida e saiu distribuindo cartões. Peço a absolvição do dirigente Wagner por inépcia da denúncia. A conduta do Alexandre Pássaro e Fernando Bracalle não estão individualizadas. Não constam quem falou o que está narrado na súmula. Não podemos condenar ninguém por ouvir dizer. O coordenador da CBF relatou mal e induziu o árbitro sem dizer o que foi dito por cada dirigente”, justificou o defensor.

Após as sustentações o relator do processo, auditor Ramon Rocha votou para aplicar uma partida de suspensão ao técnico Fernando Diniz e ao preparador físico Wagner Bertelli, ambos por infração ao artigo 258, inciso II do CBJD. Aos dirigentes Fernando Bracalle e Alessandro Pássaro, o relator manteve a denúncia por ofensa e aplicou dois jogos e multa de R$ 5 mil para cada um. Ao goleiro Felipe Alves, o relator desclassificou a conduta para o artigo 250 e aplicou uma partida de suspensão. O atleta Carlinhos também teve a denúncia por ofensa desclassificada para desrespeito e foi punido com uma partida de suspensão. Já ao ex-auxiliar técnico do Fortaleza, Charles Hembert, o relator aplicou duas partidas de suspensão por desrespeitar a arbitragem.

O auditor Miguel Cançado divergiu do relator para absolver o goleiro do Fortaleza, Felipe Alves e desclassificou a conduta dos dirigentes do São Paulo para reclamação desrespeitosa no artigo 258 aplicando a suspensão de 20 dias para Fernando e Alexandre Pássaro.

Terceiro a votar, o auditor João Rafael Soares divergiu do relator para manter a denúncia do atleta Felipe Alves em jogada violenta e puni-lo com uma partida de suspensão; aplicar dois jogos a Carlinhos pelo desrespeito no artigo 258 e aplicar 20 dias de suspensão aos dirigentes Fernando Bracalle e Alexandre Pássaro no artigo 258 do CBJD.

Já o auditor Fernando Cabral Filho votou para aplicar uma partida ao goleiro Felipe Alves, do Fortaleza, mantendo a denúncia por jogada violenta no artigo 254 e aplicar três partidas de suspensão ao auxiliar técnico Charles Hembert por reclamação desrespeitosa levando em consideração a reincidência do denunciado.

Presidente da Primeira Comissão, o auditor Alcino Guedes também divergiu do relator para aplicar uma partida ao goleiro Felipe Alves mantendo a denúncia no artigo 254 e para punir com 30 dias de suspensão e multa de R$ 5 mil aos dirigentes do São Paulo, Fernando Bracalle e Alexandre Pássaro, entendendo como grave a ofensa praticada pelos denunciados.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.