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Flu: Atletas, Oswaldo, gerente, gandula e clube punidos
14/10/2019 14h50 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
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A Primeira Comissão Disciplinar do STJD do Futebol julgou nesta segunda, dia 14 de outubro, as ocorrências na partida entre Fluminense e Santos, pela  Série A do Campeonato Brasileiro. Por maioria dos votos, os Auditores puniram Digão e Frazan com uma partida de suspensão; advertiram Ganso e Oswaldo de Oliveira pela discussão na beira do campo e puniram o ex-treinador do clube carioca com dois jogos por gestos obscenos para a torcida. O Fluminense foi multado em R$ 5 mil e teve o gerente Fernando Simone multado em R$ 5 mil e suspenso por 20 dias por ofender a arbitragem e um gandula do jogo advertido. Também denunciados Rodrigo Henriques, supervisor de futebol; Allan Neiva, auxiliar de supervisão; a Federação de Futebol do Rio de Janeiro e o atleta Marinho, do Santos, foram absolvidos.

Integrantes do Fluminense prestaram depoimento:

Denunciados, os atletas Digao, Frazan e Ganso, além dos dirigentes denunciados e o presidente Mário Bittencourt estiveram presentes na sessão. Apenas Frazan não prestou depoimento.

Primeiro a depor, o zagueiro Digão se disse surpreso com a expulsão e falou sobre o momento. “Não escutei o apito do árbitro. Caí e tentei levantar. Ele (Marinho) prendeu minha perna e quando olhei era falta pra gente e o juiz foi me expulsou”.

Paulo Henrique Ganso falou em seguida sobre o episódio com Oswaldo de Oliveira: “A gente teve uma discordância tática do jogo e ele falou comigo, respondi e na saída acabei falando burro. No vestiário a gente conversou, se abraçou e ficou tudo resolvido. Nada além disso. Nunca e em nenhum momento houve problema nos treinamentos. Não cheguei a ofender ele dentro de campo. Sempre fui capitão e sempre que o Digão está suspenso ou machucado sempre sou o segundo capitão.”, disse o jogador, que encerrou confirmando que foi multado pelo clube.

Presidente do clube, Mário Bittencourt também prestou depoimento para esclarecer o caso envolvendo entre Ganso e Oswaldo e dos dirigentes no túnel de acesso com a arbitragem. “Dentro do vestiário, na nossa roda de oração, eles se falaram, pediram desculpas e ficou resolvido. O árbitro também entendeu como irrelevante e não citou na súmula. Do ponto de vista hierárquico aplicamos a multa. Fernando Simone realmente se excedeu e falou palavras indevidas. Estranhamente os dois que estavam ali para contê-lo acabaram entrando na leva, mas não falaram nada. Não crucifico o árbitro que na saída pediu a identificação de todo mundo, mas o Allan e o Rodrigo não disseram nada. O Fernando foi duro e se excedeu”.

Fernando Simone também confirmou que se exaltou e disse as palavras narradas na súmula. Simone negou que os colegas tenham dito algo. “Eles me seguraram e tentaram me tirar.” Rodrigo Henriques e Allan Neiva confirmaram a versão do gerente-geral, Fernando Simone.

O Procurador Michel Sader reiterou os termos da denúncia. “Denúncia muito bem elaborada, as provas de vídeo confirmam as infrações e os depoimentos corroboraram com os fatos”.

O que sustentaram as defesas:

O advogado Carlos Portinho iniciou a defesa dos integrantes do Fluminense. O defensor pediu a desclassificação na conduta de Digão e ressaltou que o zagueiro estava caído no chão com a perna presa e tentou se desvencilhar do adversário, mas sem o intuito de agredir e machucar. Ainda de acordo com a defesa, Frazan foi expulso por chegar atrasado no lance e receber o segundo amarelo. Com relação a Ganso e Oswaldo, o advogado arguiu preliminar e afirmou que o árbitro e assistente viram o episódio e entenderam por não punir jogador e treinador.

“Não há antidesportividade. Atleta e técnico discutiram taticamente. Foram ao limite, mas não há infração. Direito Desportivo não trata de exageros e suposições. Houve uma discussão dentro do limite entre membros da mesma equipe”, explicou.

O advogado destacou ainda que Oswaldo foi muito xingado e pediu a absolvição do treinador. Portinho concluiu afirmando que o gerente Felipe Simone confessou a conduta e que é primário. O advogado pediu que a pena do dirigente fosse atenuada com base no artigo 180 do CBJD.

Logo após o advogado Lucas Maleval defendeu o Fluminense e o gandula expulso na partida. “Causa surpresa a denúncia pelo gandula por não atrasar e sim devolver de forma rápida. O fato aconteceu dois minutos depois da expulsão do Digão. Me parece estranho o clube com um a menos querer acelerar. O Fluminense vem denunciado no 258-D e não faltou com sua responsabilidade. O gandula foi identificado e responde pelos seus atos, assim como os demais denunciados”, concluiu.

A advogada Loasse Blange representou o Santos e defendeu Marinho. “Causou estranheza na defesa pela denúncia ser no artigo 258 do CBJD e junto com o artigo 48 do Código Fifa. Lance de segundo amarelo e que chegou atrasado. Sem a intenção de atingir e machucar o adversário. A defesa pede a desclassificação para o artigo 250 e absolvição”.

Pela FFERJ, Sandro Trindade pediu a absolvição da Federação e destacou que a contratação dos gandulas não compete à entidade. “Não consigo visualizar uma hipótese de culpa da Federação. O quadro de gandulas é de responsabilidade do clube mandante”.

Como votaram os Auditores:

Relator do processo, o Auditor Rafael Feitosa votou para desclassificar a conduta de Digão para jogada violenta e aplicar dois jogos ao atleta; absolver Marinho; uma partida a Frazan no artigo 254; multa de R$ 20 mil e 45 dias a Fernando Simone no artigo 243-F; absolver Rodrigo Henriques e Allan Neiva; advertir Ganso e Oswaldo por indisciplina no artigo 258 e punir Oswaldo com duas partidas de suspensão no artigo 258-A; multar em R$ 5 mil o Fluminense no artigo 258-D e absolver o clube no artigo 191, inciso III; advertir o gandula George Allan Nascimento Moura no artigo 191, inciso III e absolver a Federação de Futebol do Rio de Janeiro.

O Auditor Douglas Blaichman divergiu do relator para absolver o atleta Frazan e multar em R$ 5 mil e 30 dias de suspensão os dirigentes Fernando Simone, Rodrigo Henriques e Allan Neiva.

Já o Auditor Alexandre Magno divergiu do relator para punir com uma partida Digão no artigo 250; advertir Marinho; absolver Ganso e Osvaldo na denúncia do artigo 243-F; multar em R$ 5 mil e 20 dias de suspensão a Fernando Simone e absolver o Fluminense no artigo 258-D.

O Auditor João Riche divergiu para punir com uma partida Digão no artigo 250; absolver Frazan; absolver Ganso e Oswaldo na denúncia do artigo 243-F; multar em R$ 5 mil e 20 dias de suspensão Fernando Simone e absolver o Fluminense da denúncia o artigo 258-D.

Ultimo a votar, o Presidente Lucas Rocha divergiu do relator para manter a tipificação e aplicar 4 jogos a Digão no 254-A e aplicar uma partida de suspensão a Ganso e Oswaldo no artigo 258.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.