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FLA x BAH: Comissão pune infrações
02/12/2021 12h34 | STJD

Divulgação / Site STJD
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A Quarta Comissão Disciplinar do STJD do Futebol puniu os atletas Rossi, do Bahia, e Diego Ribas, do Flamengo, pelas condutas partidas no confronto entre as equipes em partida válida pela Série A. Denunciados por trocarem agressão física os atletas tiveram as condutas desclassificadas para jogada violenta e foram punidos com uma partida de suspensão, cada. No mesmo processo o Bahia foi multado em R$ 5 mil por atrasar o reinício da partida e Matheus Bahia advertido por jogada violenta. A decisão foi proferida nesta quinta, dia 2 de dezembro, e cabe recurso ao Pleno.

Entenda o caso:  https://www.stjd.org.br/noticias/fla-x-bah-atletas-expulsos-denunciados

Presente na sessão virtual, Rossi prestou depoimento e afirmou que não teve a intenção de atingir Diego Ribas com uma cotovelada.

“A bola estava em disputa, mais para o Diego e eu estava olhando ele de frente e fui tentar ir no ombro dele. Quando há disputa ombro a ombro não é falta. Quando fui no ombro a bola foi para longe e ele teve que se esticar. Eu me jogo por não ter apoio, meu cotovelo acaba pegando no rosto e eu acabo caindo no chão, consequentemente ele revidou. Não percebi que o corpo dele tinha ido para trás e não teria como tirar o cotovelo e nem meu corpo. Não tinha percebido que meu cotovelo tinha pegado no rosto dele. Só percebi que tinha encostado no rosto dele quando ele veio falar comigo”, disse o atleta do Bahia.

Após o depoimento de Rossi, os auditores acompanharam as provas de vídeo das defesas e Procuradoria.

João Guilherme Guimarães, subprocurador-geral da Justiça Desportiva, discordou do que foi dito por Rossi e destacou que as infrações denunciadas estão configuradas e merecem reprimenda.

“Ele (Rossi) vai com o cotovelo alto e acerta o atleta na altura do jogo. Em momento algum está correndo atrás da bola, perde o contato e desequilibra. Isso para mim ficou muito nítido no vídeo. Ao Diego ele enforcou, de fato, seu oponente depois do lance ocorrido. Está muito bem capitulada a denúncia e os dois foram expulsos em cenas lamentáveis e que merecem a reprimenda. Matheus Bahia expulso pelo segundo amarelo e reitero os termos. Por último, uma questão já bem detalhada do atraso. Ocorreu o atraso do Bahia e a multa é aplicada ao caso”, justificou.

Defensor do Flamengo, o advogado Michel Assef destacou a ficha e vida profissional do atleta Diego e pediu a desclassificação da denúncia.

“Importante trazer a figura do atleta Diego. O atleta foi denunciado uma vez na vida e foi absolvido e depois entrou com uma ação criminal contra o árbitro, que confessou que o atleta não teria dito o que foi narrado na súmula na época. Atleta exemplar e que não costuma fazer o que fez. Um rompante e que ele ficou cego. Ele sentiu uma cotovelada no rosto e, desde que ele levou a cotovelada, vai perseguindo o atleta até que o lance pare. Ele chega e segura o pescoço do Rossi que cai e o Diego coloca o dedo cobrando. Na área penal ele seria absolvido por ser uma reação. Fato que ele exagerou, mas levar para uma agressão a um atleta superexperiente e que só foi denunciado uma vez. Agressão não foi. Agressão é tudo aquilo que pode produzir um resultado contra a integridade física. Ele pegou no pescoço e soltou rápido em sinal de revolta. Não é um atleta agressivo e está revidando sim. O artigo 254, inciso I, é tão grave que se espera a mesma gravidade no ato praticado pelo atleta e não foi o que houve. Peço a desclassificação para o artigo 250 ou 258 por atitude antidesportiva que não é uma agressão e que se aplique a pena mínima com a conversão pela advertência”.

Pelo Bahia, o advogado Milton Jordão iniciou a defesa pelo clube e o atleta Matheus Bahia.

“Atraso de 5 minutos inquestionável. Matheus Bahia venho clamar que estamos diante de uma regra do jogo e não uma infração disciplinar do CBJD. Duas faltas que o árbitro julgou necessário o cartão amarelo. Não foi um vermelho direto ou um episódio no lance com infração desportiva. O lance que gerou a expulsão em nada se adequa a hipótese ventilada na denúncia. Se requer aqui a sua absolvição”, disse o defensor, que seguiu defendendo Rossi.

“Ao atleta Rossi, quero chamar a atenção para um aspecto: a interpretação das imagens. O julgador deve tentar se colocar ao máximo no campo de visão do denunciado para entender o lance como se desenvolveu. A explicação do atleta é extremamente factível. O vídeo solto possivelmente não se nota. Se o Diego não tivesse ido atrás talvez nem estaríamos aqui. O intuito do Rossi era dar um tranco e bater de ombro a ombro para ganhar a bola. Diego esticou o corpo e Rossi acabou desequilibrando. Aqui diria que havia ausência de previsão de produzir aquele resultado. Se ele quisesse atingir certamente Diego estaria lesionado. Era um jogo tenso, disputado e o aleta Rossi é um atacante aguerrido de beirada que não tem bola perdida. Não há de se falar em agressão física. Compreendo a lógica da procuradoria, mas não se pode falar em agressão em um lance de disputa de bola. Ele atingiu no desenrolar da situação que o objetivo era outro. A defesa pede que meditem sobre a existência de uma infração, mas creio que o atleta sequer quis praticar jogada violência. Pondera-se pela desclassificação para o artigo 254 por jogada violenta e com a aplicação da pena mínima”, concluiu a defesa do Bahia.

O relator do processo, auditor Maurício Neves, acompanhou parcialmente o pedido das defesas.

“Ao Bahia não há muito o que falar sobre a infração. Cinco minutos de atraso e são R$ 5 mil, sendo R$ 1 mil por minuto. Ao atleta Matheus Bahia voto pela advertência no artigo 254. O atleta Rossi, registro o lamento de observar atletas desse porte e faltou cautela. Acho que houve jogada violenta sim. Desclassifico para o artigo 254 e aplico uma partida de suspensão. Me causou espanto a conduta do atleta como o Diego. Não é da natureza dele praticar atitudes como aquela e me causou tristeza. Estou aplicando também no artigo 254 uma partida de suspensão. Registrando o lamento de ver um atleta desse porte agir dessa maneira”, justificou o relator.

A auditora Adriene Hassen divergiu parcialmente do relator.

“Acompanho relator quanto ao Bahia, ao atleta Matheus Bahia e acompanho também quanto o atleta Rossi. Ao atleta Diego entendo que é o tipo previsto no artigo 250 por ato hostil. Não foi um ato contundente ao assumir risco de causar dano e, considerando atenuantes e agravantes, vou aplicar duas partidas de suspensão”, disse a auditora.

Presidente da Quarta Comissão, o auditor Jorge Galvão acompanhou o relator na íntegra.

“Acompanho a multa de R$ 5 mil ao Bahia. Voto para advertir no artigo 254 o atleta Matheus Bahia. Ao atleta Rossi entendo que buscou o contato físico com o ombro e acompanho o relator no artigo 254 com a pena de um jogo. Ao atleta Diego Ribas peço vênia a Procuradoria também entendendo que não houve agressão. Me parece um ato mais simbólico que uma agressão. Acompanho também o relator em uma partida no artigo 254”, concluiu.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.