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Deyverson, Fred e Dudu punidos
03/12/2021 17h15 | STJD

Divulgação / Site STJD
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A Quinta Comissão Disciplinar do STJD do Futebol advertiu Fred e Dudu e puniu em uma partida Deyverson. Os jogadores do Fluminense e do Palmeiras, respectivamente, foram julgados por fatos ocorridos pela Série A do Campeonato Brasileiro. A decisão de primeiro grau, tomada nesta sexta, 3 de dezembro, cabe recurso.

Entenda o caso:

A partida entre Fluminense e Palmeiras, válida pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, no dia 14 de novembro, terminou com uma confusão e as expulsões dos atacantes Fred e Deyverson. Segundo o relato sumular, após o apito final, Deyverson empurrou Fred dando início a uma confusão e insistiu em provocar os adversários. Fred, por sua vez, teria revidado e dado continuidade ao tumulto. Ao ser expulso, o atleta tricolor bateu palmas e disse ao árbitro: “seu frouxo, seu frouxo”.

A Procuradoria enquadrou Fred e Deyverson no artigo 250 §1° II do CBJD, “ato desleal ou hostil”, e ainda denunciou o jogador do Palmeiras por rixa, artigo 257 §1° do CBJD, e o atleta do Fluminense por ofensa, artigo 243-F §1° do CBJD.

A expulsão de Dudu se deu pelo segundo cartão amarelo por, após receber uma falta, com o jogo paralisado, atingir o adversário com o pé. Após a expulsão, o mesmo saiu imediatamente para o vestiário e o jogador atingido não necessitou de atendimento médico. Dudu foi incurso no artigo 254-A §1° II do CBJD, “agressão física”.

O advogado do Fluminense, Rafael Pestana, juntou aos autos provas de vídeo, documental (fotos de Fred e Deyverson abraçados) e pediu a oitiva do denunciado e do presidente do Fluminense, Mário Bittencourt.

Em depoimento, Fred negou que tenha trocado empurrões com Deyverson.

“Foi quase isso mesmo que aconteceu, com alguns equívocos na narração do árbitro. Eu já tinha saído do jogo quando começou esse princípio de tumulto. Quando eu estava entrando para reunir nosso time e agradecer à torcida, vieram o (Matheus) Martinelli e o Dayverson e ele falou que o nosso time brigava todo ano para não cair. Como eu sou amigo do Deyverson, eu abracei ele e falei ‘poxa, Deyverson, hoje você está no Palmeiras, mas amanhã pode vir para o Fluminense, isso não é legal’. Quando ele já estava saindo, o árbitro veio e deu o amarelo para o Deyverson e o segundo amarelo para mim. Ali eu não tive a intenção de ofender o árbitro, mas senti que ele teve o intuito de compensar o cartão amarelo, foi onde o chamei de frouxo. Não foi uma ofensa pessoal. Se isso foi entendido dessa forma, peço desculpas. Foi um desabafo. O Deyverson sim poderia ter tomado o cartão, porque se desentendeu com alguns jogadores. O meu cartão entendi que foi para compensar, o que me gerou o meu desabafo”, disse Fred.

O presidente Mário Bittencourt contou que Deyverson já tinha o provocado no intervalo da partida.

“Sempre assisto ao jogo de uma cabine, junto com a diretoria e a equipe técnica, para me afastar um pouco da emoção. Eu sempre desço faltando de cinco a três minutos e não vi nossos jogadores vindo, então desci as escadas e vi que estava acontecendo uma grande confusão. Perguntei ao fiscal de acesso se eu poderia entrar para tentar acalmar os ânimos, mas ele negou e fiquei no mesmo local. Logo em seguida esse rapaz do Palmeiras (Deyverson) vinha esbravejando e me viu com a camisa do Fluminense e com o crachá e falou ‘vocês lutam todo ano para não cair’ e foi para o vestiário. Depois perguntei ao Fred o que aconteceu, ele me contou, fiquei com aquilo guardado na cabeça, mas quando acabou o jogo houve um entrevero entre o Deyverson e o Samuel Xavier e eu contei que ele falou a mesma coisa no intervalo. Fred me disse que foi lá abraçar ele, pedir para ele não fazer isso e o árbitro deu o cartão vermelho. Fred foi envolvido na confusão de maneira equivocada. Ele vai parar de jogar futebol daqui seis meses e isso acaba mexendo emocionalmente, sem dúvida alguma. Não estou aqui dizendo que em momento algum ele não disse nada, está aí na súmula. Ele fez questão de não treinar hoje para estar aqui e falar a verdade dele para os senhores”, falou Mário Bittencourt.

Como sustentaram as partes:

O Procurador da sessão, Álvaro Cassetari, pediu a absolvição de Fred e Deyverson no artigo 250 do CBJD e a desclassificação da imputação de ofensa para o artigo 258 do CBJD ao tricolor. A acusação também sustentou pela desclassificação da conduta de Dudu para “ato desleal ou hostil”

O advogado do Fluminense pediu a absolvição de Fred em ambos os artigos.

“Na opinião da defesa esse processo deveria ser considerado integralmente improcedente, por ter sido baseado em equívocos do árbitro. O cenário dos acontecimentos ficou muito claro. O Fred em nenhum momento de fato trocou empurrões com o atleta do Palmeiras. Com relação ao artigo 258, se este Tribunal não entender que esse atleta merece ser absolvido por essa denuncia estar contaminada, que então se aplique a pena mínima convertida em advertência em razão de sua primariedade. O pedido da defesa, resumidamente, é muito simples. Que se absolva o atleta nos dois artigos”, sustentou Rafael Pestana.

Alexandre Miranda advogou em defesa dos atletas do Palmeiras.

“Todos são primários. Em especial o Deyverson e o Dudu, estão há 3 anos sem passar aqui pela casa. Para tratar do Deyverson, a gente tem que desmistificar a figura do Deyverson. É um atleta do bem, o próprio Fred falou aqui, atleta do grupo, do bem, que não quer mal a ninguém. Aqui estamos analisando o Deyverson pelo descrito na súmula. Não há um empurrão, não há sequer nenhuma comprovação do que foi dito. Como o Deyverson poderia ter dito que o Fluminense briga para não cair, o Samuel Xavier poderia ter dito que o Palmeiras não tem Mundial. E mesmo assim, o empurrão que fala ali nem é contundente. Na saída há de novo uma conversa e um abraço entre o Fred e o Deyverson, ou seja, o árbitro foi muito mal. O relato foi fantasioso sim. O artigo 250 fala em empurrar acintosamente e ele não fez isso. Não há absolutamente nenhum empurrão. A defesa requer a completa absolvição de Deyverson no artigo 250. Aqui também não há nenhum fundamento jurídico para tentar impor ao atleta uma pena de seis partidas, como pedido na denúncia. Nem que fosse uma denúncia no artigo 254-A, por conta de que não há nenhuma comprovação, portanto, caso entendam que cabe uma punição, a defesa requer a desclassificação e pena de advertência ao Deyverson”, disse Alexandre Miranda.

O advogado do Palmeiras continuou, agora em defesa de Dudu.

“Em relação ao Dudu, não é um atleta que caça, mas que é caçado. O Dudu sofreu a falta e ele atingiu o pé. O árbitro fala em conduta antidesportiva na súmula. O árbitro ainda fala que o Dudu saiu sem problemas, o Samuel Xavier não precisou de atendimento médico. Tanto não foi grave que o árbitro aplicou o segundo cartão amarelo. A Procuradoria denunciou no artigo 254-A, mas fala em conduta antidesportiva. O próprio Procurador da sessão reconheceu isso e pediu a desclassificação”, finalizou Alexandre Miranda.

Como votou a Comissão:

Por unanimidade de votos, Fred foi absolvido no artigo 250 do CBJD e, por maioria, advertido quanto à desclassificação do artigo 243-F para o artigo 258. 

"Não vejo Fred empurrando Deyverson, pelo contrário, o vídeo mostra eles conversando, se abraçando. No final pode até ter havido um bate-boca entre os dois, mas nada que tenha passado daquilo”, disse o relator Gustavo Caputo.

Os auditores Alessandra Paiva e José Maria Philomeno acompanharam na íntegra. O presidente em exercício, Eduardo Mello, divergiu apenas por não converter em advertência a punição aplicada na segunda conduta.

Por unanimidade, Deyverson foi absolvido do artigo 257 e punido em um jogo quanto à imputação ao artigo 250 do CBJD. Votaram o relator Gustavo Caputo, os auditores Alessandra Paiva e José Maria Philomeno e o presidente Eduardo Mello.

“O comportamento do atleta de entrar no campo para tirar satisfações foi o que gerou o tumulto. Por sorte não tivemos nada de grave e a questão se limitou ao bate-boca”, justificou o voto o relator Gustavo Caputo.

A conduta de Dudu foi desclassificada para o artigo 250 do CBJD e, por unanimidade de votos, o jogador foi punido com um jogo convertido em advertência. Acompanharam o relator, os auditores Alessandra Paiva, José Maria Philomeno e o presidente Eduardo Mello.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.