LEIA MAIS@ 20/09/2020 - 14h09 | STJD nega pedido de adiamento da Caldense
LEIA MAIS@ 19/09/2020 - 18h45 | Presidente indefere pedido do Palmas
LEIA MAIS@ 18/09/2020 - 14h23 | Relator concede efeito suspensivo a Jô
LEIA MAIS@ 17/09/2020 - 19h24 | Pleno anula seis julgamentos do TJD/PR
LEIA MAIS@ 17/09/2020 - 15h33 | Pleno reforma pena de Gerson Magrão

Cruzeiro punido com multa e portões fechados
29/01/2020 17h46 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
a A

A Terceira Comissão Disciplinar do STJD do Futebol julgou na tarde desta quarta, dia 29 de janeiro, o Cruzeiro pelas infrações na última rodada da Série A do Campeonato Brasileiro 2019 que decretou o rebaixamento do clube para a segunda divisão. Por maioria dos votos, os Auditores multaram o Cruzeiro em R$ 50 mil e aplicaram a perda de três mandos com portões fechados por infração ao artigo 213 do CBJD. A decisão cabe recurso e deve chegar ao Pleno do STJD, última instância nacional.

Entenda o caso:

Com placar de 2 a 0 para o Palmeiras a última rodada marcou o primeiro rebaixamento do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro. A confusão generalizada ocorrida no Mineirão gerou denúncia ao Cruzeiro por infração aos artigos 211 e 213, incisos I, II e III do CBJD.

Na súmula o árbitro informou que as confusões nas arquibancadas tiveram início logo após o segundo gol do time adversário. Torcedores começaram invadir setores. Ainda de acordo com a súmula houve o arremesso de um copo de água aos 33 minutos do segundo tempo, minutos depois o arremesso de duas latas cheias, seguido de um torcedor que invadiu o campo atrás do gol. Aos 42 minutos a partida foi paralisada em virtude de um tumulto generalizado no estádio com arremessos de bombas e cadeiras pela torcida do Cruzeiro. Sem condições de prosseguir, o jogo foi encerrado pela arbitragem.

De acordo com a PM a confusão teve início após uma organizada do Cruzeiro arremessar 30 bobas no estádio.

Em julgamento, o advogado Theotonio Chermont juntou prova documental com diversos Boletins de Ocorrência registrados após a partida, relator da segurança do Mineirão.

Com a palavra, o Procurador Cláudio Mariano reiterou a denúncia e destacou.

“Vejo que a denúncia relacionou em seu escopo 8 itens muito importantes que estão na súmula, arremesso de copo, duas latas, invasão de um torcedor no campo, partida paralisada por brigas de torcedores, torcedores feridos e muita violência no estádio. Inúmeras cadeiras lançadas no campo. A brutalidade e a depredação são fatos incontestáveis. Houve sim atrapalho e comprometimento da partida. O regular desenvolvimento do jogo e a segurança de todos que estavam ali foram gravemente comprometidos. Invasões de diversas áreas, torcedor andando em marquises, torcedor quebrando divisas de áreas, a Máfia Azul soltou 30 bombas. Falta de condição mínima de segurança. O Cruzeiro não agiu com a cautela devida, com as revistas. Barbárie nos banheiros, no local destinado a imprensa. Extrema gravidade no acontecimento no Mineirão. Todo esse espetáculo negativo tem que ser punido. Que a dosimetria seja justa e a interdição do Mineirão venha e que se aponte o que deve ser feito”, concluiu o procurador.

Em seguida Theotonio Chermont pediu que se analise as questões pelo lado técnico e dividiu a defesa em duas partes.

Na denúncia do artigo 211, o advogado sustentou. “Proibição do ingresso da duas organizadas do Cruzeiro de frequentarem o estádio por um ano. O Cruzeiro tem que se basear na reunião com a participação da PM, Federação e Bombeiros autorizem que a partida seja realizada no estádio não há como dizermos que o mesmo não tem condição. Um estádio de Copa do Mundo que estruturalmente no artigo 211 atende qualquer tipo de evento. Mas se reunirmos essas duas torcidas juntas nenhum estádio seria capaz de receber a partida. Peço de imediato que seja afastada a denúncia no artigo 211”, e acrescentou.

“Não há como querer pegar o Cruzeiro para Cristo e aplicar a pena máxima achando que é punitiva. O intuito da pena tem que ser pedagógica. A última punição dele no artigo 213 foi de R$ 1 mil e é necessário ter um parâmetro e não aplicar diretamente a pena máxima. O processo envolvendo o Atlético/MG está em recurso. Vale lembrar ainda que o clube hoje está na Série B e temos que levar em conta o quesito financeiro. Tenho total consciência que esses Boletins não atendem o artigo 213, mas peço que analisem friamente a situação. Como fazer para terminar com esse tipo de episódio? Acho que a questão é muito mais complexa do que um simples plano de contingência e segurança. É humanamente impossível um contingente de 800 seguranças domarem uma massa de 30 mil pessoas rebeladas. Detalhe que eram todos de um time só. Peço uma multa pequena e não cabe interdição e perda de mando”, encerrou.

Com a palavra para voto, o relator do processo, Auditor Manuel Márcio lembrou que o Mineirão tem sido palco de guerras campais. “Cenas lamentáveis. Algo está errado e precisa ser feito. Fatos gravíssimos. Constam que mais de 30 pessoas foram para o hospital. A defesa fez de tudo para tentar amenizar a pena. Encerrar uma partida antes do tempo é o fato mais lamentável no futebol. Aplico multa de R$ 100 mil e cinco jogos com portões fechados no artigo 213 do CBJD e interdição mais a multa de R$ 30 mil no artigo 211”, explicou.

O Auditor Jurandir Ramos aplicou multa de R$ 100 mil e três mandos com portões fechados no artigo 213 e multa de R$ 100 mil no artigo 211.

Já os Auditores Vanderson Maçullo, Alessandra Paiva e o presidente Sérgio Martinez votaram para aplicar multa de R$ 50 mil e três mandos com portões fechados no artigo 213 do CBJD, absorvendo o artigo 211 do CBJD.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.