LEIA MAIS@ 24/06/2021 - 13h20 | A Tutela da urgência no processo desportivo
LEIA MAIS@ 23/06/2021 - 11h44 | Operário x Guarani: Atletas advertidos
LEIA MAIS@ 22/06/2021 - 09h30 | Transações geram mais de R$ 1 milhão em doações
LEIA MAIS@ 21/06/2021 - 15h29 | Fla pede ao STJD liberação de Pedro
LEIA MAIS@ 21/06/2021 - 12h30 | STJD implementa Processo Eletrônico

Copa do Nordeste: Atletas e clubes punidos
02/06/2021 15h23 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
a A

A Terceira Comissão Disciplinar do STJD do Futebol julgou nesta quarta, dia 2 de junho, os envolvidos na batalha campal na final da Copa do Nordeste. Por maioria dos votos, os auditores suspenderam Steven Mendoza, do Ceará por oito partidas, além de Jael, do Ceará, e Nino Paraíba, do Bahia, com sete partidas. Já Gabriel Dias, do Ceará e os atletas Danielzinho e Juninho, do Bahia receberam seis partidas de suspensão, cada. Responsabilizados pela rixa e tumulto, Ceará e Bahia foram multados em R$ 15 mil, enquanto o Ceará recebeu ainda multa de R$ 1,6 mil por atrasar o reinício da partida. A decisão cabe recurso e deve chegar ao Pleno, última instância nacional.

A final da Copa do Nordeste chegou a julgamento. O árbitro informou na súmula a conduta de cada denunciado e, a partir dos relatos e vídeos da partida, a Procuradoria enquadrou as condutas nos artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

Todos os envolvidos na confusão generalizada foram ouvidos pela Terceira Comissão Disciplinar. De acordo com os depoentes, o que desencadeou o tumulto foi uma comemoração de Nino Paraíba, interpretada por jogadores do Ceará como provocação.

Veja o que cada atleta relatou.

Jael (Ceará): 

“Tem três ou quatro jogadores do Bahia que já joguei. Estava parabenizando, acalmando quem perdeu pênalti, nisso eles estavam saindo, dei apoio aos meus companheiros também, quando o Nino correu na minha direção e ele gritou ‘chupa, chupa’, e eu fui de encontro com ele para pedir respeito e coloquei o dedo em riste, ele encostou o rosto no meu dedo, tentou tirar meu dedo do rosto dele e acabou acertando meu rosto. Aquilo foi o estopim para tudo. Fiquei chateado com o que ocorreu, apagou um pouco o brilho da competição. O calor do momento, da partida, somos seres humanos, estamos sujeitos a errar. Erramos naquele momento, todos nós que participamos daquele ato. A primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi perguntar a minha esposa se minhas filhas assistiram ao jogo, porque foi vergonhoso”, disse Jael.

Danielzinho (Bahia):

“Na hora que acabou a disputa de pênalti, estava comemorando todo mundo junto, eu não sabia o que estava acontecendo, estava mais atrás, foi quando o Mendoza veio em disparado na minha direção. O Nino estava ao meu lado, na hora pensei que ele fosse me agredir, então dei um golpe nele, então ele voltou e eu dei um segundo golpe nele. Aí ele foi pegar uma cadeira, eu fui até para atrás do gol, porque não sou de confusão. O primeiro chute foi que ele veio na minha direção, bastante rápido, e eu tive que me defender. Logo em seguida ele veio novamente e dei o segundo golpe nele. Depois eu me afastei, não me envolvi em nenhuma confusão, já estava até dando entrevista. Tudo que fiz foi para me defender mesmo. A minha atitude foi mais de me defender porque eu não sabia que ele (Mendoza) e o Nino já tinham tido um conflito”, afirmou Danielzinho.

Gabriel Dias (Ceará):

“Eu estava ao lado do Steven quando começou a confusão, até que eu fui em direção à primeira discussão e vi quando o Steven tomou o primeiro golpe e fui atrás, porque ele estava sozinho. Um jogador deu uma voadora nas costas do Mendoza e ele caiu. Tentando proteger meu jogador foi quando desferi o golpe no Juninho, apenas para proteger o meu companheiro. Eu só fui proteger o Mendoza porque ele estava sozinho e na hora do acontecimento acabei acertando ele e o Juninho. Estava conversando com outros atletas e não vi quando ele pegou a cadeira”, contou Gabriel.

Juninho (Bahia): 

“Começou tudo quando cobrou o pênalti. Eu estava de costas. O Nino conseguiu sair do Jael e saiu correndo para onde a gente estava. Nisso o Mendoza passou correndo e a gente tentou segurá-lo para não ter nenhuma briga, mas a gente não conseguiu, porque ele estava muito rápido e furioso. Eu dei um chute por trás no Mendoza, mas não pegou. O segundo chute na perna e logo em seguida eu tomei um soco. O Vinícius me segurou e eu fiquei conversando com ele. Eu ajudei o Vinícius e o Vizeu a retirar o Nino de campo para parar a confusão. Em momento nenhum a gente ficou feliz com tudo isso que aconteceu. Revendo os vídeos depois, ele estava conversando com o Jael e logo em seguida o Jael tentou agredí-lo e o Nino saiu correndo, quando acontece tudo que falei, a gente tentou conter o Jael e proteger nosso companheiro. No momento em que o Nino entrou, para entrar na fila da premiação, é quando estavam terminando de montar o palco”, depôs Juninho.

Mendoza (Ceará):

“Estava no banco, fiquei bastante triste por ter perdido. No momento em que estou sentado no banco eu vejo o Nino entrando e falando com o Jael. Jael foi atrás dele e eu fui atrás porque ele (Nino) não estava jogando. Não fui para brigar, só para perguntar o que ele estava fazendo dentro do campo. Se eu fosse agredir eu já chegaria agredindo, mas fui só para falar. Só queria falar com o Nino. Ninguém deixou eu falar com ele e então fiquei ensandecido e peguei uma cadeira. Não entendi porque estava todo mundo batendo em mim se eu não queria brigar com ninguém. Eu peguei a cadeira para me defender e não para agredir alguém. Eu não bati em ninguém, só apanhei. Depois vendo o jogo eu vi que outras pessoas também me bateram, mas naquele momento eu só vi o Nino. Só peguei a cadeira se alguém fosse me bater de novo. Olhei, corri e joguei a cadeira. Foi só para me defender”, afirmou Steven.

Nino Paraíba (Bahia):

“No momento em que saí da arquibancada, eu falei ‘chupa é campeão’ ainda fora do campo. Em nenhum momento falei isso para o Jael e ele já veio pedir respeito e eu disse que respeitava, mas era campeão. Ele já veio com o dedo no meu rosto e eu só tirei o dedo dele do meu rosto. Normal é comemorar. Falar chupa eu errei. Mas em nenhum momento eu olhei para alguém. Eu só estava comemorando. Em nenhum momento direcionei isso a ele.“Se ele (Jael) não vem na minha direção não teria briga”, e acrescentou: “agredi (Mendoza), mas foi por defesa. Em nenhum momento ele chegou para mim tentando conversar. Ele chegou para me agredir e aí eu tive que me defender. Vi o momento em que Mendoza pegou a cadeira, aí fiquei atrás do banco, quando me retiraram do campo de volta para a arquibancada, concluiu Nino.

A defesa do Bahia ainda ouviu o presidente do clube, Vitor Ferraz, que estava na arquibancada, além de dois integrantes do marketing do clube que estavam no campo na hora da confusão.

O que sustentaram as defesas:

A defesa do Ceará, feita pelo advogado Dr. Osvaldo Sestário, não negou a gravidade dos fatos, mas pediu que as punições não ultrapassassem o caráter pedagógico. 

“Não podemos passar pano, as condutas foram graves, mas para isso existe o processo legal. Algumas coisas ficaram muito bem esclarecidas. Todos os atletas do Ceará assumiram as condutas e as imagens mostram isso. Sobre o Jael, o próprio presidente quando ouvido, ele falou que o Nino provocou. O fato começa com o Nino provocando o Jael. Pelo depoimento do Jael, podemos perceber que ele estava envergonhado. Ele não negou, ele falou exatamente o que mostram as imagens. Ou a gente entende que houve a rixa e qualifica ele no 257 e absorve no 254-A ou entende que houve agressão e afasta o 257. Foi um atleta provocado, se mostrou arrependido e acho que tudo isso tem que ser pesado. A pena tem que ter caráter pedagógico. O Gabriel foi só defender o companheiro de equipe, foi sincero no depoimento. Vou na mesma linha do Jael. Foi uma só conduta. Não dá para apenar duas vezes, no 257 e 254-A. A defesa pede que a pena seja razoável”, defendeu Sestário que seguiu a sustentando pelo atleta Mendoza.

“Em relação ao Mendoza, imagina você tomar um chute no rosto? Como disse o próprio em depoimento, ele só apanhou. O próprio árbitro fala em tentativa e o próprio Nino confessou que não pegou a voadora. Ele só apanhou. Aí vem o fato de ele ter ido pegar a cadeira. Quando ele sai correndo, ele passa por alguns pedaços de ferro no campo. Ele tomou um chute na cara, apanhou e pegou uma cadeira. Se ele quisesse agredir, não era mais fácil pegar um pedaço de ferro? Gostaria que os senhores analisassem isso com critério e cuidado. Uma cadeira, se a gente for pensar, ela pode ser usada como um escudo. Faz sentido o que o John contou aqui”, disse o defensor, que ainda pediu a absolvição do Ceará afirmando ter sido um jogo em uma Arena de Copa do Mundo e destacando que as diretorias tentaram acalmar e o clube não deve ser responsabilizado pela rixa.

Pelo lado do Bahia, o Dr. Milton Jordão disse que o processo ganhou contornos bem peculiares, incomum e que deveria ser analisado todo o contexto que vem se construindo dos confrontos entre Bahia e Ceará.

“No vídeo em que juntou o Bahia, existe o momento exato na confusão em que Juninho se envolve. Embora o árbitro diga que ele desferiu dois pontapés no Mendoza, isso não se prova com o vídeo. Efetivamente o atleta não praticou. Fala-se em duas ações. É injusto. Se a pena é de quatro, cinco jogos, o importante é que ela tenha justiça. Como vou imputar rixa se eu já identifiquei a conduta que ele teria praticado? O árbitro examinou tranquilamente as imagens do VAR. Mais um excesso acusatório. A rixa é incompatível, então peço a absolvição do atleta. No artigo 254-A existe a prova do vídeo e ela não é clara suficientemente. A Nino foi destinado um tratamento especialíssimo. Ele foi eleito como o estopim de tudo isso. Não foi isso. Ele usa uma expressão comum entre os jovens, uma expressão que se tornou popular. Onde é que o Nino aponta para o Jael? Ambos estavam pilhados com o jogo. Nino simplesmente, quando percebeu que poderia levar um soco ou um tapa do Jael, ele saiu. Nino já está fugindo de Jael e ainda vem outro jogador. Então o que ele faz? Ele usa o que ele dispunha e foi esse golpe dado que ele confessa. Ato contínuo, Nino que estava na intermediária, sai e vai para o centro do campo onde estavam os jogadores do Bahia e o que acontece? Mendoza foi atrás. Nino tentou fugir, se desvencilhar dele e não o agrediu. Não há invasão de campo. O atleta estava registrado. A CBF cuidava do credenciamento. Quem ingressou no campo foi com autorização. Não houve penetra ou receberíamos uma Notícia de Infração da CBF. O atleta estava ali para receber sua medalha e participar da premiação”, sustentou o advogado, que concluiu a defesa com as imputações ao Bahia.

“Não é um jogo comum, era uma final e tem tratamento diferenciado. Se as pessoas ingressaram em campo com autorização, não há desordem. A confusão que se vê ali são as delegações tentando impedir. Não há também de ser punido o clube por rixa, pois todos os envolvidos foram identificados. O árbitro viu os vídeos e identificou”, finalizou.

Como votaram os auditores:

Relator do processo, o auditor Rodrigo Raposo, considerou apenas um artigo a cada denunciado e entendeu as demais condutas como atos contínuos. Raposo votou para punir Jael por rixa ou tumulto e aplicou a pena de sete partidas ao atleta. A Danielzinho e Juninho, ambos do Bahia, o relator manteve as condutas por rixa, também absorvendo a denúncia do artigo 254-A e aplicou a pena mínima de seis jogos de suspensão para cada atleta. Citando o descontrole e a gravidade nas condutas praticadas pelo atleta Steve Mendoza, o relator aplicou oito partidas de suspensão por rixa previsto no artigo 257, absorvendo as agressões do artigo 254-A. Ao atleta Nino Paraíba, do Bahia, o auditor destacou a invasão de campo, provocação e reação errada do jogador e aplicou sete partidas também no artigo 257 e absorvendo as demais infrações denunciadas.

O relator do processo ainda aplicou multa de R$ 15 mil ao Bahia e ao Ceará no artigo 257 destacando que nem todas as pessoas que participaram da briga foram identificadas e ainda multou o Ceará em R$ 1,6 mil por atrasar dois minutos o reinício da partida, absolvendo os clubes nos demais artigos denunciados.

Os auditores Cláudio Diniz e o presidente Luís Felipe Procópio acompanharam o relator na íntegra.

O auditor Alexandre Monguilhott acompanhou o relator nas penas aplicadas aos clubes e divergiu com relação aos atletas, aplicando oito partidas a Jael no artigo 254-A; quatro jogos a Danielzinho no artigo 254-A; quatro jogos a Juninho no artigo 254-A; oito partidas a Mendoza por agressão no artigo 254-A; cinco jogos a Nino Paraíba no artigo 254-A.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.