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Felipe Melo, Willian e Santos punidos
04/11/2019 13h40 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
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A Primeira Comissão Disciplinar do STJD do Futebol julgou nesta segunda, dia 4 de novembro, o Santos e os atletas Felipe Melo e Willian, do Palmeiras por infrações no clássico. Por maioria dos votos, os Auditores suspenderam Felipe Melo por cinco partidas por gesto obsceno contra a torcida adversária; aplicaram uma partida de suspensão a Willian por ato hostil e o Santos foi multado em R$ 10 mil pelo arremesso de um boné no campo. A decisão cabe recurso e deve chegar no Pleno, última instância nacional.

Diante da Comissão, Santos, Palmeiras e a Procuradoria exibiram prova de vídeo com lances das infrações.

Com a palavra, o Procurador Michel Sader reiterou a denúncia ao atleta Willian e destacou a imprudência do jogador no lance que poderia ter machucado o adversário. Ao Felipe Melo, o Procurador destacou que, apesar do jogador ter sido xingado, não poderia ter tido a reação e responder a provocação. Sader encerrou reforçando também a condenação ao Santos pelo arremesso de um boné no campo de jogo.

Advogado do Palmeiras, Américo Espallargas iniciou a sustentação agradecendo pelo adiamento pleiteado na última sessão em razão do falecimento de um familiar. Em seguida defendeu o atleta Willian. “Lance curioso. Willian é atacante e ele faz o carrinho lateral. Movimento clássica de tentar chegar e bater a bola pra frente.Ele faz o movimento de recolher e toca a canela do Pituca com a ponta da chuteira. O árbitro deu a vantagem e na revisão do VAR aplica o vermelho. A singeleza do lance é corriqueiro do futebol”, disse.

Logo após, Américo defendeu o atleta Felipe Melo. “Felipe sempre atrai muita mídia e é um jogador que não vamos nos furtar que é polêmico, mas temos sempre uma conduta de relatar os fatos...O Felipe Melo está se defendendo da hostilidade que sofre por falta de segurança que tinha ali. A torcida do Santos, na falha do clube em providenciar a cobertura necessária (túnel inflável), hostiliza de maneira acentuada o atleta do Palmeiras que reage. A defesa pede a desclassificação para o artigo 258 e aplicação da pena mínima”, concluiu.

Pelo Santos, Marcelo Mendes pediu a absolvição do Santos e justificou seu pedido. “Muita diferença entre torcedor e um atleta profissional já acostumado com esse tipo de coisa e passa por diversos estádios do Brasil. A Notícia de Infração apresentada pelo Santos foi ao Felipe Melo pelo gesto obsceno e ao Prass que provocou a torcida levantando o braço  e mostrando quatro dedos fazendo alusão ao placar de 4 no primeiro turno. Imediatamente após a provocação houve o arremesso de um boné de pano e que é permitido e não há como prevenir e impossibilidade de repreender. Objeto lícito, sem potencial lesivo e a equipe do Santos não foi informada em nenhum momento sobre o arremesso para que o clube pudesse buscar o infrator e responsabilizá-lo pela sua conduta. Incide nesse caso o artigo 161 do CBJD pelo clube só ter tido ciência do arremesso após publicação da súmula”, encerrou.

Relator do processo, o Auditor Alexandre Magno apresentou seu voto. “Entendo que o Santos deixou de tomar as medidas capazes de prevenir ou reprimir essa ação. O Santos não conseguiu se eximir da obrigação. Fixo a pena em R$ 10 mil. Apesar da defesa do Palmeiras ao Willian, não entendo que foi uma jogada violenta na forma do 254 do CBJD. Vejo como ato de hostilidade e desclassifico a conduta para o artigo 250 fixando uma partida ao atleta. Sabemos de tudo que se passa com o atleta Felipe Melo e entendo que exacerbou no seu comportamento. Chamo a atenção dos colegas dos antecedentes que consta nas folhas 22 do processo. Voto por cinco partidas de suspensão ao Felipe Melo”, justificou.

O Auditor Douglas Blaichman votou em seguida. “O profissional não pode aceitar provocações e reagir ao torcedor adversário. Acompanho o relator na íntegra”.

Terceiro a votar, o Auditor João Riche também acompanhou o relator e acrescentou. “Temos uma situação de um atleta conhecido desse tribunal. Ele assimilou uma imagem de Bad Boy e acha bonito. Esses atletas são ídolos de crianças e não podem passar essa imagem. Parece que fazemos papel de bobo quando houve a transação com esse tribunal”.

Já o Auditor Rafael Feitosa divergiu do relator na dosimetria. “Ao Santos, pelo potencial lesivo do boné, reduzo para R$ 5 mil a multa. Felipe Melo levo duas questões em consideração: o caso do Osvaldo de Oliveira e o episódio recente dele no tribunal não ter sido o mesmo fato e na entrada do vestiário com pequeno público. Aplico três partidas ao atleta”.

Presidente da Comissão, o Auditor Lucas Rocha também divergiu do relator. “Acompanho a divergência de R$ 5 mil ao Santos. Ao Willian, mantenho no artigo 254 e aplico uma partida por se tratar de jogada violenta. Ao atleta Felipe Melo sigo a lógica da divergência. Temos que nos ater aos fatos e aplico três partidas no artigo 258-A”, concluiu.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.