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CEA x COR: Eduardo e Cássio punidos
30/11/2020 16h16 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
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A Primeira Comissão Disciplinar do STJD do Futebol julgou os atletas Eduardo, do Ceará, e Cássio, do Corinthians, pelas expulsões no confronto entre as equipes pela Série A do Campeonato Brasileiro. Denunciado por cotovelada e chutar o var, o atleta Eduardo foi punido com o total de três jogos de suspensão. Já o goleiro Cássio recebeu uma partida por desrespeitar o árbitro. Ceará, Corinthians e o árbitro Anderson Daronco foram absolvidos em denúncia julgada improcedente pelos auditores.

A denúncia foi formulada após a partida entre Ceará e Corinthians, realizada no dia 11 de outubro. O árbitro Anderson Daronco informou que expulsou o atleta Eduardo por atingir seu adversário com uma cotovelada. Quando se dirigia ao vestiário o jogador do Ceará chutou a cabine do var. Já o atleta Cássio recebeu o vermelho após o fim da partida por se dirigir a arbitragem dizendo: “Tu disse que ia revisar o lance, seu babaca”.

A Procuradoria denunciou Eduardo por praticar agressão física no artigo 254-A e por causar dano ao var no artigo 219 do CBJD; o Cássio por ofender a arbitragem no artigo 243-F, além de enquadrar Ceará e Corinthians por suposto atraso na entrada das equipes no artigo 191, inciso III do CBJD e o árbitro Anderson Daronco entendendo que ele deixou de relatar o atraso das equipes na súmula e, portanto, enquadrado no artigo 266 do CBJD.

Após o relatório do processo, o auditor Miguel Cançado fez a contagem nos horários narrados na súmula e julgou improcedente a denúncia aos cubes e ao árbitro.

Presente na sessão virtual o atleta Eduardo prestou depoimento e falou sobre a narrativa do árbitro quanto as suas ações. “Minha intenção no lance não foi de dar cotovelada. Não tenho esse histórico de jogador violento. Na verdade, sem pensar eu acabei fazendo isso (chutar o VAR). Não posso mentir. No meu ver o árbitro me expulsou erradamente. Naquela situação meu time ficaria com um a menos e poderia perder o jogo e o VAR que era para corrigir o lance acabou errando na expulsão. Tudo isso naquele momento na cabeça acabei ficando com raiva e chutando. Não que um erro justifique o outro, claro”, explicou Eduardo.

O Procurador Giovani Mariot reiterou os termos da denúncia aos atletas. “No tocante ao primeiro denunciado, ouvindo sua manifestação a Procuradoria insiste em sustentar a denúncia na forma que foi apresentada. A prova de vídeo retrata o que foi trazido na súmula: tanto a força, assim como sua conduta ao chutar a cabine do VAR. Ao segundo denunciado a súmula da conta de que o próprio árbitro sentiu-se ofendido quando o atleta do Corinthians disse as palavras. O árbitro narrou que se deu por atacado em sua moral. A Procuradoria insiste na procedência da denúncia dos atletas”, concluiu.

Pelo Ceará a advogada Bárbara Petrucci defendeu. “O clube cumpriu o que define o novo countdown e pede a absolvição. O atleta Eduardo a prova de vídeo conseguiu descontruir a súmula no que tange a disputa de bola. O árbitro narrou que foi fora e o vídeo mostra o contrário.  O atleta demonstrou que não houve intuito de uma agressão física. Com 15 anos de carreira ele só tem quatro passagens no tribunal, sendo duas advertências. Além disso, o instituto da agressão pressupõe algo muito maior. O atleta ficou o segundo tempo de fora em um jogo muito importante, cumpriu a automática. Que haja desclassificação para o artigo 254 e com a aplicação da pena na mínima convertida em advertência. O artigo 219 muito me lembrou o caso do Gatito, mas que quebrou a cabine e houve dano. No caso concreto não houve dano. O atleta confessa que chutou de forma impensada, mas sem prejuízo. Não seria justo aplicar o artigo 219 e a defesa pede a desclassificação para o artigo 258”, finalizou.

João Zanforlin, advogado do Corinthians defendeu o goleiro Cássio. “Não houve ofensa ao árbitro. O atleta usa o pronome tu como um bom gaúcho e chama de babaca. Já vi isso na novela das 8h30, em jogo, em julgamento e não vejo ofensa. Fui buscar no dicionário o que quer dizer babaca. Babaca é bobo, tolo, idiota, imbecil e isso não atinge e nem ofende a honra do árbitro. Nesse sentido quero pedir a desclassificação para o artigo 258 entendendo que houve um desrespeito. O Cássio é primário e pedimos a pena mínima”, encerrou.

Com a palavra para voto, o auditor Miguel Cançado justificou seu entendimento. “Mantenho a improcedência da denúncia ao Corinthians, ao Ceará e ao árbitro Anderson Daronco. Ao atleta Eduardo o lance mostra que se excedeu, mas não vejo uma agressão física. Acho que a hipótese encaixa melhor no tipo do 254 como jogada violenta. Desclassifico para o artigo 254 e aplico a pena de uma partida. A atitude de chutar e reconhecer que se excedeu é louvável. Não vejo o tipo do artigo 219 por não ter ocorrido dano ao VAR, mas vejo uma atitude antidesportiva. Aplico a pena de duas partidas no artigo 258 ao atleta Eduardo. Restando a atitude do goleiro Cássio. Não acho correta a atitude, mas não vejo ofensa a honra do árbitro. Desclassifico o artigo 243-F para o artigo 258 e aplico a pena de uma partida ao goleiro Cássio”, explicou.

O voto do relator foi acompanhado pelos auditores Ramon Rocha, Fernando Cabral Filho e pelo presidente Alcino Guedes. Já o auditor João Rafael Soares divergiu somente para aplicar duas partidas ao atleta Cássio por desrespeito.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.