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Autuori é advertido por declarações
14/09/2020 19h46 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
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Os Auditores da Primeira Comissão Disciplinar julgaram o técnico Paulo Autuori pelas declarações contra a arbitragem após a partida contra o Flamengo e declarações contra a entidade de administração do Campeonato Brasileiro. Por maioria dos votos, os auditores absolveram Autuori pela primeira conduta e puniram a segunda com advertência. No mesmo processo o Flamengo foi multado em R$ 800 por atrasar a partida. A decisão cabe recurso.

O atual técnico do Botafogo participou do julgamento realizado em sessão virtual e prestou depoimento para esclarecer as palavras ditas por ele após partida da Série A. No entendimento da Procuradoria Autuori desrespeitou a arbitragem da partida e disparou de forma ofensiva contra a CBF, fato negado pelo treinador.

“Falei de maneira clara e ratifico minhas palavras, que, em função dos erros acontecerem da mesma maneira e serem empatizados em relação a alguns, dá a chance a uma suspeição...Tudo que eu falei teve uma construção lógica. Quero dizer que os acontecimentos que têm ocorrido dão chance a que ocorra uma certa suspeição porque ocorrem da mesma maneira. Falo de uma maneira abrangente. Minha visão é sistêmica, eu vejo o todo e não situações fragmentadas. Acho que o futebol brasileiro precisa dar espaço a mais debate”, afirmou.

Responsável pela denúncia, o Procurador Rafael Carneiro afirmou que Paulo Autuori tem que assumir a responsabilidade pelo que fala.

“Carreira longeva e com técnica e disciplina. Muito surpreende termos que enfrentar essa denúncia, sobretudo uma denúncia estudada com muita cautela. Vieram Notícias de Infração de duas entidades (ANAF e CBF). Embora o árbitro não tenha se sentido ofendido, a entidade que o representa o fez. O depoimento do denunciado transbordou o que estava sentindo. O sentimento dele das coisas boas e ruins e ele disse achar que o futebol não progrediu. Ele pode dizer o que quiser desde que assuma a responsabilidade”.

Gerente Jurídico do Botafogo, Aníbal Rouxinol Segundo defendeu Autuori.

“Não houve ofensa e nem desrespeito. Ele exerceu sua opinião sem nenhum um tipo de exagero. Entende que suas ponderações servirão para uma reflexão e não para uma opinião. É um absurdo o que ele falou? O VAR é um protagonista negativo do Campeonato Brasileiro e a cada rodada temos diversas matérias falando dessa necessidade de aprimoramento. A defesa vem pedir a absolvição no artigo 258 e também no artigo 243-F”, concluiu o advogado”.

Advogada da ANAF, Ester Freitas pediu a procedência da denúncia e, consequentemente, a condenação de Autuori pelo desrespeito cometido.

Pelo Flamengo o advogado Rodrigo Frangelli afirmou que na súmula arbitral constam diversos equívocos em relação a cronologia da partida. “Se não podemos considerar erros do árbitro nas duas partes da súmula também não podemos deduzir que esse minuto de atraso de um do Flamengo esteja correto. Nesse sentido a defesa vem pedir a absolvição do clube”.

Após as sustentações, a Primeira Comissão Disciplinar iniciou os votos.

O auditor João Rafael Soares, relator do processo, justificou seu entendimento e voto.

“Entendo que houve um desrespeito à equipe de arbitragem do jogo, bem como a equipe do VAR. Considero que houve infração ao artigo 258, inciso II e condeno na pena de suspensão de uma partida. Embora a notícia de infração e a denúncia tenham colocado o artigo 243-F para a segunda infração, desclassifico para o artigo 258 pelo desrespeito contra a entidade de administração do desporto e aplico dois jogos pela forma como se pronunciou na entrevista. Ao Flamengo entendo que houve o atraso e aplico R$ 800”, explicou.

O auditor e vice-presidente da Comissão, Sérgio Henrique Furtado Coelho acompanhou o relator na íntegra.

O auditor Ramon Rocha abriu divergência. “Diante da fragilidade das provas existentes não vislumbro infração na primeira conduta em face dos critérios objetivos dessa nova realidade que o VAR nos impõe. Divirjo parcialmente para absolver a primeira conduta endereçada ao árbitro por ausência de relato na súmula. Acompanho na desclassificação na segunda conduta para o artigo 258 por desrespeito contra a entidade e, pela primariedade, converto a pena mínima em advertência. Acompanho na aplicação da multa ao Flamengo”, explicou.

O voto divergente foi acompanhado pelo auditor Miguel Ângelo Cançado e pelo presidente Alcino Júnior de Macedo Guedes.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.