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VIT x CEA: Paulo Carneiro e atletas punidos
11/09/2020 16h00 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
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A Quinta Comissão Disciplinar julgou na tarde desta sexta, dia 11 de setembro, o processo com as infrações ocorridas na partida entre Vitória e Ceará, pela Copa do Brasil. Denunciado por invadir o campo, não usar máscara, ofender a arbitragem e ameaçar um atleta do Ceará, Paulo Carneiro, presidente do Vitória recebeu punição total de 135 dias de suspensão e multa de R$ 21 mil. Expulsos em campo, Léo Ceará foi punido com dois jogos de suspensão, sendo um por ato hostil e um por desrespeitar a arbitragem, enquanto Charles e Vico receberam uma partida de suspensão, cada. A decisão cabe recurso e pode chegar ao Pleno, última instância nacional.

Denunciados prestaram depoimento:

Os atletas denunciados e o presidente do Vitória acompanharam o julgamento e prestaram esclarecimentos sobre os episódios narrados na denúncia.

Denunciado por agressão, xingar o adversário, desrespeitar o árbitro, tentar invadir o campo após o fim da partida sem o uso de máscara, Léo Ceará apresentou sua versão. “Acabei pisando sem querer no pé dele (Charles). Acho que ele pensou que foi por querer e acabou me empurrando. Não chegou a ser agressão nem da minha parte e nem da dele. Era um jogo muito importante e quando acabou o jogo tentei ir até ao árbitro para saber o motivo da expulsão. Achei que expulsar com vermelho direto foi muito rigoroso. Na hora que pisei na linha de campo meus companheiros me seguraram e voltei para o vestiário”, disse Léo Ceará.

Charles, atleta do Ceará, também falou sobre o desentendimento com Léo Ceará. “A gente estava perdendo de 2 a 0 e queríamos cobrar rápido o escanteio. Houve uma discussão, um desentendimento no calor do jogo, mas nada de agressão. Ele (Léo Ceará) pisou no meu pé sem querer e eu acabei empurrando um pouco ele”, afirmou o jogador.

O atleta Vico foi denunciado por desrespeitar a arbitragem e negou que tenha dito as palavras narradas na súmula. O jogador afirmou que estava atrás do árbitro e foi questionar a marcação de um pênalti, mas sem desrespeitar o árbitro do jogo.

Presidente do Vitória, Paulo Carneiro foi denunciado por invadir o campo de jogo, não usar máscara, ofender a arbitragem e ameaçar o atleta adversário. Em depoimento o presidente confirmou todas as infrações. “Não vou negar os fatos, que são evidentes. Mas é importante contextualizar para fazer os auditores refletirem e talvez amenizar. Estou no futebol há 32 anos e sou presidente do Vitória pela sexta vez. O Vitória passa por uma crise financeira sem precedentes e digo isso tudo para justificar em partes. Quero pedir desculpas, tenho um temperamento muito forte, que eu busco controlar. Como um time está ganhando de 2 a 0, fazendo o resultado que o classificaria, e jogando muito melhor e de repente tem duas expulsões? Na segunda expulsão me descontrolei totalmente. Fui ao juiz e falei um pouco de bobagens pra ele sem agressão. Lamentei a má condução dele. Quando eu saí eu tive uma reação de torcedor. O árbitro foi o principal responsável por esse descompasso que aconteceu nesse primeiro tempo de jogo que valia muito para nós.

Perguntado se já invadiu o campo em outras oportunidades, Paulo Carneiro foi sincero e respondeu que muitas vezes numa época de 20 anos atrás pela rivalidade entre as diretorias do Vitória e Bahia. O presidente do Vitória acrescentou ainda.

“Estava acompanhando a partida sozinho no camarote. Desci do camarote e fiquei encostadinho na maca esperando acabar o primeiro tempo. Não tinha intenção nenhuma de agredir o Vinícius. Lamento muito. Foi um desabafo de torcedor ao me lembrar da falta de respeito dele com a torcida do Vitória. Eu tirei a máscara da boca, mas se olharem os vídeos eu estava com a máscara na mão”, encerrou.

O que sustentaram as partes:

João Marcos Guimarães, Procurador da Justiça Desportiva iniciou sua sustentação afirmando que não foi desconstruído pelos atletas Léo Ceará e Charles o que foi relatado na súmula quanto a troca de agressão e as palavras desrespeitosas. Sobre o Vinicius lembrou que o atleta recebeu a primeira advertência aos 11 minutos e após a marcação de um pênalti teria se dirigido ao árbitro de forma desrespeitosa, sendo expulso com o segundo amarelo. Com relação ao presidente do Vitória, o Procurador reforçou que o mesmo não negou nenhum dos fatos narrados na denúncia. Por fim, ratificou a suspensão preventiva ao presidente do Vitória.

Patrícia Saleão, advogada do Vitoria pediu a absolvição do atleta Vico afirmando não ser possível a identificação de quem desrespeitou o árbitro e citou o depoimento pessoal do atleta. Ao atleta Léo Ceará a defesa lembrou a primariedade do jogador e pediu a desclassificação da denúncia de agressão, além de pedir a absolvição nas denúncias de desrespeito, invasão de campo e ausência de máscara ao final da partida.

Com relação ao presidente, Saleão sustentou. “O presidente reconheceu seu erro. O que a defesa gostaria de pedir é que reconheçam a primariedade do presidente Paulo Carneiro levando em conta todo o contexto apresentado, que se aplique as penas mínimas previstas no artigo e não considerem a denúncia de ameaça e ausência de máscara que estava na mão dele.
Ele reconheceu seu erro, se sentiu envergonhado”, finalizou.

Pelo Ceará o advogado Osvaldo Sestário pediu inicialmente a absolvição do atleta Charles. Em segundo lugar, a desclassificação na denúncia de agressão para ato hostil previsto no artigo 250 com aplicação da pena mínima de advertência.

Como votaram os Auditores:

Relatora do processo, a auditora Alessandra Paiva votou para punir Paulo Carneiro com 45 dias de suspensão por invasão de campo (artigo 258-B); multa de R$ 3 mil pela ausência de máscara (artigo 191, inciso III); 30 dias de suspensão e multa de R$ 8 mil por ofender a arbitragem(artigo 243-F) e suspensão por 60 dias e multa de R$ 10 mil por ameaçar o atleta do Ceará (artigo 243-C), totalizando 135 dias de suspensão e multa de R$ 21 mil.

Ao atleta Leonardo a relatora desclassificou a agressão para ato hostil e aplicou uma partida ao atleta no artigo 250; uma partida pelo desrespeito contra a arbitragem (artigo 258); advertência pelo desrespeito contra o atleta adversário e pela invasão de campo (artigo 258 e 258-B) e absolveu na denúncia pela ausência de máscara (artigo 191, inciso III). O atleta Vico, do Vitória, foi absolvido pela relatora, enquanto Charles , do Ceará, foi punido com uma partida por ato hostil (artigo 250) e absolvido na denúncia de desrespeito (artigo 258).

Vice-presidente da Comissão, o auditor Vanderson Maçullo divergiu da relatora apenas quanto ao atleta Vico, do Vitória, aplicando uma partida de suspensão por desrespeitar a arbitragem (artigo 258, inciso II).

O auditor Eduardo Mello divergiu da relatora nos valores das multas a Paulo Carneiro aplicando R$ 4 mil pela ofensa (artigo 243-F) e R$ 5 mil pela ameaça (243-G). Ao atleta Leonardo, o auditor Eduardo Mello aplicou dois jogos de suspensão pelo desrespeito contra a arbitragem (artigo 258, inciso II) e multa de R$ 1 mil pela ausência de máscara (artigo 191, inciso III) e acompanhou a divergência na aplicação de uma partida de suspensão ao atleta Vico por desrespeitar a arbitragem (artigo 258, inciso II).

O auditor Gustavo Henrique Caputo acompanhou na íntegra o voto da relatora.

Já o presidente da Comissão, auditor Otacílio Soares de Araújo Neto aplicou 90 dias de suspensão a Paulo Carneiro pela invasão de campo e 45 dias pela ofensa a arbitragem, acompanhando a relatora nos demais artigos. O presidente acompanhou ainda o voto do auditor Eduardo quanto os atletas Leonardo e Vico, ambos do Vitória.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.