LEIA MAIS@ 23/08/2019 - 12h44 | Felipe Melo suspenso e Gregore absolvido
LEIA MAIS@ 22/08/2019 - 13h52 | Pleno reconsidera pedido parcial de Itair
LEIA MAIS@ 21/08/2019 - 16h21 | Felipe Melo e Gregore em pauta
LEIA MAIS@ 21/08/2019 - 10h57 | Ceará pede impugnação de partida
LEIA MAIS@ 19/08/2019 - 10h37 | STJD emite recomendação contra Homofobia

Inter punido por ação de torcedores contra gremista
09/08/2019 18h15 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
a A

A Quinta Comissão do STJD do Futebol puniu o Internacional pelo episódio de agressão sofrido por uma torcedora gremista e seu filho no Beira Rio. Por unanimidade dos votos, os Auditores votaram para punir o clube, por maioria, aplicaram multa de R$ 5 mil ao Inter. O julgamento foi realizado na tarde desta sexta, dia 9 de agosto, e a decisão cabe recurso.

A denúncia teve origem após a imagem de uma torcedora do Grêmio e seu filho serem hostilizados ao assistiram ao Gre-Nal, válido pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro, na zona mista do Beira Rio e comemoraram o empate em 1 a 1 balançando uma camisa do Grêmio na direção da torcida tricolor. No momento da comemoração uma torcedora colorada hostilizou os dois e empurrou a mãe iniciando uma confusão. A camisa gremista da família foi retirada por um segurança do Inter.

Denunciado por não reprimir o fato, o Internacional apresentou em sessão como prova documental ofícios da organização da partida, ficha cadastral com a identificação dos três torcedores do Inter envolvidos, cópia da instauração de procedimento disciplinar contra os sócios, inquérito policial encaminhado ao Ministério Público, além de vídeos das câmeras internas do estádio onde foi possível acompanhar todo o trajeto da família e identificar os sócios que hostilizaram mãe e filho e de gravação da participação da torcedora gremista em uma rádio gaúcha.

Subprocurador-geral da Justiça Desportiva, Leonardo Andreotti comentou sobre as provas apresentadas pelo Inter. “Com relação aos documentos juntados, a Procuradoria contextualiza no sentido de que o clube tem alguns documentos que comprovam processos criminais e administrativos em face das pessoas identificadas no caso. O inquérito juntado é datado do dia 26 de julho, mas a partida ocorreu no dia 20 de julho. A Procuradoria vem salientar que, pelos documentos juntados e pela mídia e proporção que tomou, não foi possível verificar nos autos as condutas do clube para sua repressão. Vale destacar a infraestrutura do Internacional. Esses documentos não se prestam para determinar a conduta do clube visando a repressão”, explicou.

Já para o advogado Rogério Pastl o clube fez o possível no presente caso e a denúncia possui algumas incorreções. “A gente se defende de uma denúncia com algumas incongruências. A criança não recebeu a camisa de presente. Todos os três torcedores envolvidos foram identificados pelo Inter. Reconheço que talvez a ocorrência pudesse ter sido feita no dia. O segurança do Internacional que socorreu não viu gravidade. Mãe e criança não estavam em pânico. Brigada Militar, juizado especial, Polícia Civil, fórum civil e criminal passam dias e horas reunidos planejando um GreNal do Brasileirão. São assinalados dois lugares para a torcida do Grêmio e a torcedora resolve furar esse planejamento. Não há como o clube fazer essa prevenção. A defesa entende que o clube deva ser absolvido”, defendeu Pastl.

Com a palavra para voto, o Auditor Eduardo Mello sustentou seu entendimento. ”Caso de grande repercussão e que nos faz pensar e refletir sobre o que é ser humano e não ser torcedor. Historicamente o futebol tem as rivalidades mais acirradas no Brasil.  Condutas que vem historicamente do futebol e a pouco tempo tem se dado a oportunidade de famílias voltarem aos estádios. Não foi generalizado, mas somente três torcedores do Inter. A própria torcedora afirmou ter sido ingênua e o marido não quis registrar Boletim de Ocorrência. O Internacional não poderia ter feito nada para prevenir nesse caso, mas falhou na repressão. Aplico multa de R$ 5 mil”.

O Auditor Otacílio Araújo acrescentou. “O que me pega foi a violência empregada contra a mãe e a violência psicológica contra aquela criança foi muito grande. O Internacional tem culpa pela sua torcedora. A agressão partiu de uma mulher que pode até ser mãe. A torcedora que sofreu a agressão é ingênua, tanto que se separou do marido e do filho maior devido o menor ser gremista. A torcedora do Inter foi muito mal educada. Acompanho na multa de R$ 5 mil”.

Com o mesmo entendimento, o Auditor Maurício Neves também acompanhou na multa de R$ 5 mil. “O que mais me saltou os olhos foi a criança. A conduta dos três torcedores lamentavelmente contamina a agremiação. A torcedora quebrou a confiança e deveria sofrer uma ação do clube. Acompanho na multa de R$ 5 mil”.

O Auditor Flávio Boson mudou seu voto após as sustentações. “Cumprimento o advogado pela conduta leal em trazer todas as provas. Estava pensando até na absolvição, mas o voto do relator pegou bem como um recado para questão pedagógica e que os seguranças sejam orientados a conduzir ao policiamento. Acompanho na multa de R$ 5 mil”.

Presidente da Comissão, o Auditor Rodrigo Raposo divergiu do valor aplicado pelo relator. “O funcionário entendeu que ficou tudo resolvido ali e foi embora. Nem mesmo o clube tinha ciência da gravidade. Só teve noção após ver as gravações que viralizou na internet e tomou grande repercussão. Só a partir daí que o Inter passou a tomar providências. Penso em agressão física branda na Senhora e psicológica na criança. A falha do Inter foi apenas no encaminhamento para a autoridade policial. A conduta do Inter foi quase perfeita. O clube previne, reprimiu, mas falhou a partir desse momento. Não houve encaminhamento e as camisas foram retiradas e não devolvidas voluntariamente. O valor baixo é pelo conjunto de provas apresentadas pelo Internacional. Aplico multa de R$ 25 mil”, justificou.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.