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Inter: Comissão adverte Bruno e suspende Guerrero e Melo
11/10/2019 12h02 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
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A Quarta Comissão Disciplinar julgou na manhã desta sexta, dia 11 de outubro, as infrações dos integrantes do Internacional na partida contra o Flamengo, pela Série A do Campeonato Brasileiro. Por maioria dos votos, Bruno Vieira foi advertido por ato desleal; Paolo Guerrero punido com dois jogos de suspensão por desrespeitar a arbitragem e absolvido na denúncia por provocar a torcida; o vice-presidente Roberto Melo punido com 30 dias de suspensão por desrespeitar a arbitragem em entrevista e o técnico Odair Hellmann absolvido na denúncia por desrespeito. A decisão cabe recurso e pode chegar ao Pleno do STJD.

Concentrado com a Seleção Peruana, Guerrero prestou depoimento através de videoconferência:

“Só fiz (xingamento) para o quarto árbitro. Não fiz para o árbitro central. Sou muito respeitoso com os juízes por mais que as vezes os lances sejam exagerados. Mas dessa vez fiquei com muita indignação por conhecer muito as regras do futebol e, nesse caso, quando um jogador está sangrando o quarto árbitro tem que avisar para o juiz e imediatamente o jogo tem que ser parado. Nesse caso a falta foi no meio do campo e eu me dirigindo ao quarto árbitro e ele não avisava o juiz que tinha que parar a jogada”, disse o jogador, que negou ter provocado a torcida adversária.

“Não fiz ato obsceno. Eu jogo com um calção e um negócio para proteger minhas genitais e que incomoda e sempre me pego tentando ficar cômodo. Quando estava saindo falaram que fiz ato obsceno. Posso mostrar quantas vezes fiz isso em outros jogos. Quero aceitar minha culpa e minha atitude que me dirigi ao quarto árbitro. Para árbitro principal só reclamei, mas para o quarto árbitro sim (mostrei o dedo)”, finalizou.

A Procuradoria reforçou o pedido de condenação de Bruno Vieira por tentar evitar um gol sem disputar a bola e do técnico Odair Hellmann pelas declarações desrespeitosas. Com relação a Guerrero e ao vice-presidente, o Procurador Rafael Mocarzel destacou a gravidade nas condutas.

“Paolo Guerrero não respeitou a decisão do árbitro e teve uma atitude incompatível com o futebol. No dia seguinte se falava mais das atitudes do atleta do que do jogo em si. O Guerrero xinga ostensivamente e confirma que xingou, faz gestos para o quarto árbitro, se dirige ao árbitro com agressividade, pede que seja expulso. Em relação ao gesto obsceno o Guerrero tenta ser sutil, mas a imagem é clara e ele segura o órgão genital na direção da torcida. Não se ajeita na forma ele segura. O caso do vice-presidente tão grave se não mais. Quando se coloca em dúvida a honestidade do árbitro, do VAR e do Gaciba merece ser punido com rigor. O que ele pretende fazer é jogar a mídia contra o VAR. Se não punirmos conduta como essas vamos legitimar cada vez mais desrespeito contra a arbitragem e a honestidade do campeonato”, encerrou.

Advogado do Internacional, Rogério Pastl juntou como prova documental fotos dos lances da partida e matérias jornalísticas sobre erros do VAR no Campeonato Brasileiro. O defensor iniciou a sustentação pelo vice-presidente e treinador. “Melo e Odair questionaram uma série de situações que em um jogo vale e no outro não vale. Não vejo ofensa nenhuma nas declarações dos integrantes do Inter. Está no limite da reclamação”. 

Logo após defendeu o atacante. “Guerrero reclama de forma desrespeitosa com o quarto árbitro e o vídeo mostra que ele não fez nada e não comunicou que o atleta estava sangrando.  Guerrero confirmou que tem culpa e isso tem que ser valorizado pela Comissão. O atleta não pode ser penalizado nos três artigos. A reclamação da arbitragem foi de forma continuada e não se aplica dupla infração. Com relação a provocação, o atleta trouxe uma saqueira e mostrou que não fez gestos obscenos. A defesa pede a absolvição”.

No entendimento do relator Alcino Junior, a conduta de Bruno Vieira não gerou infração e, desta forma, absolveu o jogador. O relator também absolveu Odair Hellmann por não verificar ofensa e nem desrespeito nas palavras ditas pelo treinador. Logo após, justificou o voto a Guerrero e Roberto Melo.

"O Guerrero é um ídolo e tem que dar o exemplo. Atos ofensivos não devem ser tolerados. Todas as provas juntadas não deixam dúvidas das ações do denunciado que ainda confessou em depoimento. Entendo caracterizada a infração por ofensa e aplico a pena mínima de quatro partidas no artigo 243-F. Com relação a provocação, observo que o gesto não é de provocação ao público. Absolvo no artigo 258-A. Ao dirigente Roberto Melo vejo como a conduta mais grave de todas.  O que mais chama a atenção são os termos utilizados. Acolho a denúncia por ofensa a honra e aplico multa de R$ 20 mil e 60 dias de suspensão, absorvendo a denúncia no artigo 258 na forma do artigo 183”, explicou.

Os Auditores Adilson Simas e José Maria Philomeno divergiram do relator para condenar o atleta Bruno Vieira com advertência no artigo 250; aplicar duas partidas a Guerrero por desrespeito no artigo 258, inciso II e desclassificar a conduta de Roberto Melo para desrespeito com aplicação de 30 dias de suspensão.

Presidente da Comissão, o Auditor Luiz Felipe Bulus votou para advertir Bruno e absolver Odair Hellmann e explicou seu entendimento quanto a Guerrero e Roberto Melo. “Guerrero também acho que não foi ofensa, mas extrapolou muito. Desclassifico a primeira infração ao quarto árbitro para o 258 e aplico 3 jogos e a segunda infração ao árbitro principal aplico uma partida no 258. Absolvo no 258-A por não ter certeza. Roberto Melo acho grave e aplico multa de R$ 5 mil e 60 dias de suspensão por ofensa”, finalizou.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.