LEIA MAIS@ 17/11/2017 - 20h06 | Palmeiras: proibidas organizadas caracterizadas
LEIA MAIS@ 17/11/2017 - 14h20 | Santa Cruz: clube multado e integrantes suspensos
LEIA MAIS@ 16/11/2017 - 13h01 | Corinthians x Palmeiras: clubes e atletas punidos
LEIA MAIS@ 14/11/2017 - 13h02 | Jair Ventura advertido por invasão
LEIA MAIS@ 14/11/2017 - 12h43 | Goleiro do Oeste punido por injúria racial

Goleiro do Oeste punido por injúria racial
14/11/2017 12h43 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
a A

Os Auditores da Segunda Comissão Disciplinar puniram o atleta Rodolfo, do Oeste, por injúria racial contra o atleta Messias, do América/MG, em partida da Série B do Campeonato Brasileiro. Em julgamento realizado nesta terça, dia 14 de novembro, o goleiro recebeu cinco jogos de suspensão e multa de R$ 5 mil. Responsabilizado pela conduta de seu goleiro o Oeste foi absolvido de denúncia, enquanto Messias foi advertido por conduta contrária à disciplina. A decisão cabe recurso.

Diante dos Auditores o América/MG apresentou prova de vídeo e prova testemunhal e o Oeste prova de vídeo e documental com fotos da família do Rodolfo. Através de videoconferência, os atletas Messias e Rafael Lima, ambos do América/MG prestaram depoimento e deram explicações sobre o fato.

“Ocorreu um fato no jogo em uma disputa de jogada aérea e houve um choque entre mim e Rodolfo. Ele tentando ganhar tempo eu gritei e falei: Vamos jogar goleiro, vamos jogar. Ele imediatamente levantou e me falou: Vai jogar macaco. Levantei o braço e falei com o árbitro para acionar a polícia e parar o jogo. O árbitro mandou continuar. O Rafael estava perto (no máximo três metros) e chegou a ouvir e estávamos retornando para o nosso campo. Creio que todos que estavam perto do lance conseguiram ouvir. Quando acabou o jogo eu acionei a polícia”, disse o atleta.

Perguntado sobre como se sentiu o episódio, Messias acrescentou. “Me senti ofendido e mal demais. Imediatamente pedi a arbitragem para parar o jogo. A gente vê as pessoas comentando na rua sobre o assunto e isso, para mim, não é legal. Me sinto muito ofendido e desrespeitado”, concluiu.

Capitão da equipe do América, Rafael Lima confirmou a injúria e afirmou que estava de 3 a 5 metros do ocorrido e que os atletas adversários Leandro Amaro e Joílson também estavam próximos. 

Pelo Oeste, o Presidente Ernesto Francisco Garcia esteve presente no jogo e acompanhou o goleiro Rodolfo na delegacia. Através de videoconferência Ernesto disse que os atletas Leandro Amaro e Rodolfo foram para a preleção e no momento não estavam presentes para testemunharem.

Logo após, o Procurador João Rafael Soares teve a palavra. “Restou amplamente divulgado o acontecido. Importante destacar que o artigo 243-G fala do ato discriminatório e que ofende a dignidade da pessoa. É possível existir ato desse tipo dentro da mesma etnia. Messias afirmou que sentiu mal, constrangido, sofreu durante um tempo. Peço a condenação dos termos do artigo denunciado por entender que ultrapassou os limites e as palavras proferidas ofenderam a honra e dignidade”, concluiu. o Procurador encerrou reiterando os demais denunciados e pedindo a condenação.

Em defesa do Oeste o advogado Osvaldo Sestário pediu desculpas por não poderem ouvir os atletas do Oeste e, em seguida, sustentou.

“Conversei com o Rodolfo pelo telefone e há uma negativa de todos do Oeste dos fatos. Há um escanteio e o atleta do América cai em um lado e o goleiro de outro. Os demais atletas saem e praticamente ficam dois do Oeste. O Rodolfo nega veementemente ter dito o que foi narrado e passou por constrangimento ao ter ido para delegacia onde sequer foi ouvido. Não existe prova a não ser o depoimento do próprio ofendido. A defesa juntou fotos da família do Rodolfo, todos negros. Entendo que não resta caracterizada a infração. O clube está denunciado no artigo 258-D e a defesa vem pedir a absolvição”.

Pelo América/MG o advogado Henrique Saliba pediu a absolvição de Messias e reforçou a denúncia por injúria. “Não entendi o motivo da denúncia contra o Messias. Ele é a vítima. O Messias tão somente tentou exercer sue direito e não há nenhuma infração disciplinar imputada ao jogador do América/MG. O jogo termina e ele sai do campo sem participar de nenhum tumulto. O clube reitera os termos da Notícia de Infração impetrada”.

Relatora do processo, a Auditora Sônia Frúgoli justificou e proferiu seu voto. “Entendo que houve uma conduta antidesportiva por parte do Messias, aplico a pena mínima e substituo pela advertência. Com relação ao Oeste entendo que não houve nada que pudesse ensejar uma condenação e, por isso, absolvo o Oeste. Sobre a suposta injúria, entendo que houve sim a ofensa e está bastante caracterizada. Mantenho a denúncia e aplico cinco partidas de suspensão e R$ 5 mil de multa ao goleiro Rodolfo”.

O Auditor Felipe Diego votou em seguida. “A ausência do depoimento da defesa foi essencial para confirmação do acontecimento da injúria e impossibilitou o debate. Acompanho integralmente a Dra Sônia”.

O mesmo entendimento foi acompanhado pelo Auditor Francisco Honório. “A não vinda da testemunha do Oeste prejudicou muito o julgamento e a defesa do clube. Me somo a relatora e acompanho integralmente”, explicou.

O Auditor Marcelo Vieira abriu divergência parcial. “Acompanho em relação ao Oeste e ao atleta Messias. Fica difícil uma prova unilateralmente com tantas dúvidas. Afasto a denúncia por discriminação e aplico um jogo ao Rodolfo no artigo 258 convertendo em advertência”.

Ultimo a votar, o Presidente Ivaney Cayres também divergiu. “Voto com a divergência entendendo que a injúria não ficou provada e absolvo do atleta Messias. Acompanho a relatora quanto ao Oeste”, finalizou.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.