LEIA MAIS@ 23/08/2019 - 12h44 | Felipe Melo suspenso e Gregore absolvido
LEIA MAIS@ 22/08/2019 - 13h52 | Pleno reconsidera pedido parcial de Itair
LEIA MAIS@ 21/08/2019 - 16h21 | Felipe Melo e Gregore em pauta
LEIA MAIS@ 21/08/2019 - 10h57 | Ceará pede impugnação de partida
LEIA MAIS@ 19/08/2019 - 10h37 | STJD emite recomendação contra Homofobia

Aparecidense punida por arremesso e injúria
15/07/2019 14h21 | STJD

Daniela Lameira / Site STJD
a A

A Quinta Comissão Disciplinar do STJD do Futebol puniu nesta segunda, dia 15 de julho, as ocorrências na partida entre Aparecidense e Juazeirense, pela Série D do Brasileiro. Por maioria dos votos, a Aparecidense foi punida com multa de R$ 50 mil e perda de um mando de campo pela injúria racial cometida por torcedores contra o atleta Deijair e multa de R$ 10 mil e perda de um mando de campo pelo arremesso de um copo com líquido no campo na direção do mesmo atleta. Denunciado por chutar o alambrado, Deijair foi absolvido, enquanto o companheiro de equipe Jean foi punido com uma partida por jogada violenta. A decisão cabe recurso.

O episódio de injúria racial ocorreu na partida realizada no dia 18 de maio. Deijair, atleta do Juazeirense, disse para a arbitragem ter sido chamado de macaco e macaco fedorento por torcedores da Aparecidense. Na súmula a arbitragem narrou o fato e informou ainda que Deijair chutou o alambrado tentando agredir um torcedor e o arremesso de um copo com líquido no campo . O fato ocorreu aos 42 minutos do segundo tempo e gerou a paralisação da partida por seis minutos. A arbitragem informou ainda que precisou chamar o policiamento para conter o tumulto gerado.

Através de videoconferência, Jean e Deijair prestaram esclarecimentos. Jean afirmou que avisou ao árbitro que tinha acertado o adversário sem querer e o árbitro marcou falta e expulsou o atleta. Deijair narrou o acontecido e explicou que estava no banco de reservas quando ouviu os xingamentos. De acordo com o goleiro do Juazeirense, um dos infratores foi identificado como pai de um jogador da Aparecidense. Deijair afirmou ainda que, após a partida, prestou queixa na delegacia e foi orientado que o caso iria levar horas e não daria em nada. O atleta confessou ainda que ao retornar para sua cidade fez nosso registro na delegacia local e que nunca tinha passado por uma situação parecida.

Marailton Silva Jardim, preparador físico e Rodrigo Góis, supervisor de futebol também prestaram depoimento confirmando os acontecimentos.

A pedido da Comissão, o delegado da partida e o quarto árbitro foram também intimados para depor sobre o caso. O quarto árbitro Anderson Ribeiro Gonçalves e o delegado Sérgio Roberto Jr afirmaram que estavam próximos do banco de reservas e que o alambrado era colado ao banco, mas que não conseguiram ouvir nada, apesar do estádio contar com apenas 373 torcedores presentes. O quarto árbitro afirmou ainda que, com o tumulto formado, chamou o policiamento e pediu ao árbitro principal que não reiniciasse a partida.

Giovanni Rodrigues, Procurador da Justiça Desportiva considerou grave os fatos narrados. O procurador pediu a condenação dos atletas do Juazeirense. Quanto a Aparecidense, Giovanni pediu uma punição severa a Aparecidense pelo arremesso de objeto e injúria cometida pela torcida da equipe mandante.

Patrícia Saleão, advogada do Juazeirense, afirmou que o atleta Jean deixou bem claro que ele alertou ao árbitro de ter cometido uma falta. “O atleta foi leal e íntegro. A conduta foi numa disputa de bola e, sincero, informou ao árbitro de ter atingido o adversário sem a intenção. O árbitro sequer tinha visto o lance. A defesa pede a absolvição do Jean”.

Com relação ao Deijair, a defesa acrescentou que o mesmo é a vítima e não merece ser punido. “Sofreu a injúria racial praticada pelo pai de um atleta da Aparecidense. É um absurdo o que aconteceu e o clube precisa ser punido severamente. O atleta negou que tivesse a intenção de agredir o torcedor. Todo o banco de reservas se revoltou . A defesa entende que esse atleta não merece punição e que ele foi vítima de injúria. O caso está mais que comprovado. O atleta compareceu a delegacia em Goiás e na Bahia. A defesa espera que a Aparecidense seja exemplarmente punida”, concluiu.

Relator do processo, o Auditor Sormane Freitas justificou e proferiu seu voto. “Esse tipo de processo nos envergonha de forma a ressoar em todo o mundo do esporte. Ao atleta Jean, pelo atingido ter necessitado de atendimento médico, aplico duas partidas. No que diz respeito ao atleta Deijair o que se viu e está provado é que o aleta saiu do banco e foi tomar satisfação de uma injusta injúria. Ele foi ofendido na honra. No que diz respeito ao atleta, com base no artigo 161, não vejo infração disciplinar cometida pelo Deijair. A Aparecidense não enviou sequer defesa por escrito. Não podemos aceitar nenhum tipo de preconceito. Como um quarto árbitro está a 3 metros e não ouviu um xingamento? Alguém está protegendo alguém... Aplico a Aparecidense multa de R$ 50 mil nos termos do artigo 243-G e R$ 10 mil no artigo 213 mais a pena de um mando de campo. A gente só toma vergonha quando mexe no bolso. Aplico a multa para desestimular novos episódios”, encerrou.

O Auditor Otacílio de Araújo divergiu parcialmente do relator. “O atleta Jean estava na disputa de bola e aplico uma partida. Ao Deijair acompanho o relator na absolvição. Ao arremesso da Aparecidense, aplico multa de R$ 10 mil e aplico a perda de um mando de campo. O arremesso foi feito na direção do atleta que estava sendo injuriado, xingado e o clube sequer mandou um advogado ou defesa escrita. Quem arremessou? Não houve a repressão da desordem. Haviam apenas 373 torcedores no estádio. No artigo 243-G concordo com os R$ 50 mil de multa e aplico ainda perda de um mando de campo por se tratar de extrema gravidade. Nada foi feito”.

Terceiro a votar, o Auditor Eduardo Mello acrescentou. “Ao Jean aplico uma partida de suspensão. Deijair provocado de tal forma que atinge seu interior e não se pode esperar que fique quieto e esperando. O lançamento de objeto ocorreu em uma situação absurda e direcionado a uma pessoa que já estava sendo injuriada. Aplico multa de R$ 5 mil e perda de um mando de campo no artigo 213 e acompanho na multa de R$ 50 mil e perda de um mando de campo pela injúria racial de absurda gravidade no artigo 243-G”.

O Auditor Flavio Boson acompanhou na íntegra o voto do Auditor Otacílio e ressaltou que o delegado da partida não soube precisar se o liquido arremessado era cerveja ou urina e que foi no momento da injúria. O Auditor acrescentou. “Me parece que a estrutura local trabalhou de forma a abafar a questão”.

Presidente da Comissão, o Auditor Rodrigo Raposo aplicou uma partida a Jean, absolveu Deijair, aplicou multa de R$ 5 mil e uma perda de mando a Aparecidense no artigo 213 e multa de R$ 50 mil e uma perda de mando pela injúria no artigo 243-G. O Presidente lamentou que um ofensor seja pai de um atleta adversário. “Esse fato revela o quão isso permeou na instituição. Se tratando de um pai, o clube deveria revelar uma postura totalmente diferente. Exemplo se da em casa. O clube sequer apresentou um representante para passar a posição oficial do clube e as medidas feitas”, concluiu.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.